28 de maio de 2013

A escola que sempre sonhei...


Há alguns anos tive a oportunidade de assistir a uma palestra do grande Rubem Alves (escritor,educador e psicanalista) quanta sabedoria em uma pessoa só. Na época trabalhava em uma escola municipal e já era uma sonhadora...sonhava com o dia em que as escolas pudessem ser menos chatas, menos teóricas, onde os alunos tivessem vez, que sentissem prazer em estudar e principalmente, conseguissem ver que o aprendizado era realmente pra vida.


Foi quando eu conheci o livro "A escola que sempre sonhei, sem imaginar que pudesse existir" que narra uma visita do autor (Rubem Alves) a uma escola em Portugal, logo no início já me emocionei, uma aluna foi quem apresentou a escola ao Rubem Alves e na sua descrição fiquei encantada...ah que bom seria se tivéssemos uma escola assim por aqui... 

Segue abaixo o trecho do livro no qual uma aluna apresenta a escola da ponte para Rubem Alves: 

“Não temos classes separadas, 1º ano, 2º ano, 3º ano... Também não temos aulas, em que um professor ensina a matéria. Aprendemos assim: formamos pequenos grupos com interesse comum por um assunto, reunião-nos com uma professora e ela, conosco, estabelece um programa de trabalho de 15 dias, dando-nos orientação sobre o que deveremos pesquisar e os locais onde pesquisar. Usamos muito os recursos da Internet. Ao final dos 15 dias nos reunimos de novo e avaliamos o que aprendemos. Se o que aprendemos foi adequado, aquele grupo se dissolve, forma-se um outro para estudar outro assunto."

Ditas essas palavras ela abriu a porta e, ao entrar, o que vi me causou espanto. Era uma sala enorme, enorme mesmo, sem divisões, cheia das mesinhas baixas, próprias para as crianças. As crianças trabalhavam nos seus projetos, cada uma de uma forma. Moviam-se algumas pela sala, na maior ordem, tranquilamente. Ninguém corria. Ninguém falava em voz alta. Em lugares assim normalmente se ouve um zumbido, parecido com o zumbido de abelhas. Nem isso se ouvia. Notei, entre as crianças, algumas com síndrome de Down que também trabalhavam. As professoras estavam assentadas com as crianças, em algumas mesas, e se moviam quando necessário. Nenhum pedido de silêncio. Nenhum pedido de atenção. Não era necessário. À esquerda da porta de entrada havia frases escritas com letras grandes,afixadas na parede. A menina explicou: "Aprendemos a ler lendo frases inteiras". Lembrei-me que foi assim que eu aprendi a ler. Minha primeira cartilha se chamava "O Livro de Lili". Na primeira página havia o desenho de uma menininha com o seguinte texto, que nunca esqueci: "Olhem para mim ./ Eu me chamo Lili. / Eu comi muito doce. / Vocês gostam de doce? / Eu gosto tanto de doce!" Imaginei que a diferença, talvez, fosse que o texto do "Livro de Lili" tinha sido escrito por uma pessoa no seu escritório. E que as frases que se encontravam escritas na parede da "Escola da Ponte" eram frases propostas pelas próprias crianças, frases que diziam o que elas estavam vivendo. Aprendiam, assim, que a escrita serve para dizer a vida que cada um vive. Pensei que é assim que as crianças aprendem a falar. Elas aprendem palavras inteiras, pois somente palavras inteiras fazem sentido. Elas não aprendem os sons para depois juntar os sons em palavras. "Mas é importante saber as letras na ordem certa", ela continuou, "porque é assim que se aprende a ordem alfabética, necessária para o uso dos dicionários". 



E vocês, acham que é possível uma escola assim? 

9 comentários:

Ana Bailune disse...

Não sei se é, mas gostaria muito que fosse! Ah, eu simplesmente amo Rubem Alves e te invejo por tê-lo visto assim, pessoalmente. Acho a proposta da escola muito legal. Precisamos de coisas diferentes e estimulantes!

Donetzka Cercck Lavrak Alvarez disse...

Creio ser possível sim.è a escola dos sonhos de todos,onde o aprendizado se faz de forma não convencional ou aborrecida.

Dependerá do empenho dos professores,diretores,pais,comunidade e do aumento salarial para essa classe linda que educa nossos filhos e sempre sonha com algo melhor.

Com um salário compatível é possível se dedicar a uma só obra e não ser obrigada a trabalhar em 2 ou 3 escolas.


Adorei a publicação.

Bjs e linda semana

Donetzka

Mônica Lima Andrade disse...

Ola!
Conheci esse livro quando estava na faculdade e de la para cá , minha admiração, por Jose Pacheco( que idealizou a Escola da Ponta) só faz crescer, ha uns 15 dias ele esteve fazendo uma palestra na Secretaria de Educação da minha cidade , porem só fiquei sabendo do evento depois de ter acontecido , fiquei muito triste !
Mas creio em outras oportunidades de conhece-lo! Afinal de contas a educação necessita de mudanças desse tipo .

Donetzka Cercck Lavrak Alvarez disse...

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Chris Ferreira disse...

Oi,
Achei muito bacana e interessante!
Beijos
Chris
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Genis Borges disse...

Oi amiga, eu participei de um congresso ano passado com José Pacheco e fiquei apaixonada pela escola da ponte.
Parece tão distante de nós... essa é a educação que almejava pra JM...
Bjus.

cris chabes disse...

Sei que essa escola seria o ideal, mas infelizmente o caminho que o Brasil precisa percorrer para chegar até ela é muito longo.
Amei o artigo
Beijocas
Cris Chabes

Toninha Borges disse...

Realmente é um escola dos sonhos.
Parabéns pelo texto Melissa.
Bju

Vanessa Gonçalves Vieira disse...

Oi Toninha. Creio que sempre teremos possibilidades de alcançar níveis assim... Mas primeiramente temos que mudar nosso conceito de escola. Entender que aprender está além nos muros de um prédio e que as organizações, papeis, currículos são apenas parte de um todo maior que é a convivência em sociedade.

Adorei o post.
Beijos!