8 de abril de 2013

Coleira para crianças, ajuda a por limites?


Elas estão há dois anos circulando pelo nosso país.
Quando chegaram por aqui eram presas ao pulso e ao pescoço mas com o tempo foram evoluindo para modelos tipo mochilas com forma de bichos de pelúcia. Ficando atadas ao tronco dos pequenos.


Mesmo com este visual renovado a "novidade" ainda provoca cenas bem chocantes. E as discussões acerca do assunto ainda que sejam tímidas já tem causado polêmica. De um lado aqueles que acreditam no acessório como um recurso favorável ao limite, à segurança e à liberdade limitada das crianças e do outro aqueles que questionam essa liberdade, criticam a iniciativa dos pais que aderem e perguntam sobre o desenvolvimento emocional dessas crianças. 

Segundo artigo da Revista Educação este é um adereço novo que retrata antigas questões. Um fato real pois como podemos perceber ao longo dos tempos a questão mais complicada para os país é a educação dos filhos. A disciplina propriamente dita. 

Sim, os tempos mudaram, as crianças estão cada vez mais espertas, o perigo cada dia pior. Mas fico aqui a pensar sobre esses recursos que aos poucos vão aparecendo... A mim soam como um grito de socorro. E neste sentido compreendo aqueles que utilizam. Mas minha preocupação maior está com o desenvolvimento das crianças. 

Lembro-me daquelas que, percebemos, foram superprotegidas na infância - quando ainda não havia coleiras infantis - e hoje são adultos não conseguem se resolver sozinhos. Estão sempre inseguros e com medo da vida, imaginem agora com esse acessório... Que tipo de adultos iremos formar?  




Podem dizer que não, mas um acessório simples como esse pode influenciar, e muito, no desenvolvimento de um indivíduo e faz com que voltemos àquela velha história de que a educação é feita pelo reforço positivo e negativo. Com a ideia de que para ser educado o indivíduo precisa ser treinado. E assim, sem perceber, estamos  mais uma vez transferindo nossa responsabilidade de educar. 

Não sou contra os limites, mas sei que há várias outras formas de fazer com que os pequenos entendam o devir de viver e a primeira delas é  respeitá-los como ser humano como todos os outros. 



Há algum tempo li em um artigo sobre educação e o redador maldizia a escola por conta dos bilhetes que eram enviados e das atividades de casa. Segundo ele os pais chegam cansados do trabalho, que fazem tão arduamente para sustentar seus filhos, e por isso não teriam tempo para ler os bilhetes e ensinar o exercícios.  Sim,  a rotina dos pais não é fácil, mas se é tão difícil assim conciliar, por que ter os filhos? 

Ser pai, Ser mãe não é tarefa para aqueles que querem que suas vidas continuem as mesmas depois que os filhos nasçam. Filho é planejamento e investimento. Então, por que que ao invés de investir em uma coleira não investimos tempo em estudos e leituras sobre as fases que as crianças precisam passar para ter um crescimento saudável? Hoje temos muitas revistas, blogs, vídeos, especialistas que falam sobre isso.  

Antes de querer colocar limites nos pequenos precisamos nos educar. E isso requer de nós força de vontade, mas muitas vezes escolhemos os caminhos mais fáceis!

Leia o artigo: Adereço novo Questão Antiga. Artigo da Revista Educação  


10 comentários:

Jackeline Graça disse...

Bom dia, Eu estou sempre no meio da polêmica dessas mochilinhas. Sim meu filho tem uma, é um macaco. O que esquecem de dizer nos artigos é que as crianças se cansam de ficar com as mãos para cima o tempo todo, sim meu filho reclama demais disso, esquecem de dizer o número de crianças que somem por dia, não por falta de limite mas por que as crianças são seres curiosos e qualquer coisa chama a atenção, e mera distração da mãe+ um individuo maldoso e temos um desastre. Não costumo usar com frequência por que evito andar longos periodos com o Davi, assim por curtas distancias e com possibilidade de descanso e em locais não muitos cheios não tem por que ele reclamar de dor no braço. Mas não acho que seja prejudicial e esses dias tive a certeza, já que meu filho me vem sorrindo e trazendo seu macaco nos braços pedindo pra colocar, transformados isso em uma brincadeira, e pra falar a verdade o Davi tem menos limites do que eu gostaria, corre por onde quer, brinca, pula, sobe em tudo. Nada da individualidade e excesso de vontade própria dele foi afetado por esse acessório assim como do primo mais velho dele que tem 11 anos hoje e é super independente.

Bjussssssss

Anne Lieri disse...

Vanessa,um post excelente!Pra mim esse negocio de coleira não é nada bom!Se ando com uma turminha de 35 crianças num passeio e ponho uma corda pra que não se percam é diferente dessa coleira individual.A criança precisa saber os seus limites sem coleira e os pais tem que dar esse limite.Um texto que nos faz refletir!bjs e boa semana!

Ana Bailune disse...

Excelente artigo, parabéns!

Genis Borges disse...

Vanessa, eu já pensei e quase comprei uma pra JM, pela segurança e nunca pensei na falta de liberdade que daria ou não pra ele.
Pensei em comprar, pq ele não para e corre pra todo lado e usaria na rua, calçadas, pois morro de medo de atropelamento.
Um dia ele saiu correndo pela calçada e o pai correndo atrás. Ele achou que era uma brincadeira e os carros que vinham nos dois sentidos da rua, pararam até que meu marido alcançasse JM. Chorei muito de nervoso e fiquei em pânico com aquela cena. Ainda bem que a rua não era movimentada e os motoristas tiveram o discernimento de pararem, esperando tudo se resolver.
Tenho medo tb dos shoppings, escadas rolantes e etc.
Acabou que eu não comprei, mas entendo o pq de muitas mães usarem.
Como vc disse, as crianças estão tão espertas, que conseguem soltar as mamãozinhas, sair correndo e não podemos piscar. Às vezes, isso é quase impossível, ainda mais se tivermos sozinhos com eles e mais bolsas e tudo o mais!
Bjusssssss, Genis

Juliana Palma disse...

Olha, sou mãe, professora de educação infantil e tenho certo conhecimento sobre as fases de desenvolvimento, necessidades, limites e tudo que envolve os pequenos. Mas não é por isso que deixarei de usar a "colerinha" em meu filho. Sim, eu tenho uma e não tenho medo nenhum em dizer que uso! Meu filho está aprendendo a correr e ainda não sabe os limites espaciais que deve obedecer. E mesmo sendo professora, não é com 18 meses que irei educá-lo verbalmente a isso, mesmo pq ele está em plena faze de exploração. A colera, me traz segurança pois vivemos em um mundo tão perigoso onde em dois segundos roubam nossas joias mais raras.
Uso a coleira em espaços específicos, quando sinto necessidade.
Quando pequena usei muito! Tenho até hoje a coleira que foi minha e posso garantir que não sou uma adulta traumatizada, menos independente e bla bla bla. A questão vai além da coleira! A questão aliás não é nem a coleira! É a EDUCAÇÃO que vem de casa, é o ESTÍMULO, é o CARINHO e por aí vai....
bjo

Jéssica disse...

eu sou do time da coleira
, tambem fui professora... hoje em dia optei pela carreira de mae em tempo integral.
e concordo muito com a juliana. a guia é uma ferramenta, para segurança.
Controle é outra coisa... uma mae, oyu qualquer outra pessoa pode muito bem Controlar uma criança segurando pela mao o tempo todo... o que por sinal pode machucar e humilhar muito mais que a ¨coleira¨
A questao com certeza é a educaçao e disposicao... dos pais

Vanessa Gonçalves Vieira disse...

Olá pessoal!

Gostaria de agradecer a todos pelas opiniões. Feliz com a participação de vocês!


Entendo o motivo de vocês que utilizam a "coleirinha" E fico feliz que tenham consciência do que estão fazendo. O meu medo é que isso vire rotina e as pessoas usem em todos os lugares e em todos os tempos!

Até agora todas que me responderam disseram que usam em lugares específicos por conta das lotações... Enfim...

Eu também conheço as fases de desenvolvimento das crianças, mas continuo muito preocupada com questões assim, principalmente em um país como o nosso, onde muitas pessoas ainda não tem ciência de como se ter uma educação saudável e onde a busca pelas facilidades, como eu disse no decorrer do texto, são extremosas e muitas vezes sim, prejudiciais aos nosso pequenos.

Repito, meu receio é o excesso! Mas se for pra usar uma coleira(continuo a descordar do assunto) que seja com o respeito que a criança deve ter.



Genis Borges disse...

Vanessa, o problema todo é por ser uma "coleira". Lembramos de animal, de domesticar, etc. Mas qtos de nós "prendemos" os filhos já grandinho no carrinho, pela praticidade e segurança em passear com eles?
Se não fosse pela coleira, pelo objeto, se fosse um outro tipo, seria normal?
Eu converso com JM, explico que não pode correr, ir com estranhos, mas como relatei, criança é imprevisível e num piscar de olhos, fazem coisas surpreendentes!
Bjus!

Toninha Borges disse...

Eu não vi uma criança e sim animalzinho que muitas mães estão tentando domesticar. Sou a favor diálogo sempre. As crianças entendem sim e sua maioria se faz de desentendida. Sou mãe de dois adolescentes e quando menores que fizeram gracinha no shopping vim embora. E depois disso, não tive mais problemas com eles. Agora saio com meus sobrinhos pequenos e uso a mesma conversa. Se obedecer ficamos senão vamos embora pra casa. Tem dado certo e sem problemas. Temos que entender que fomos crianças e que cada uma tem sua personalidade e os filhos, sobrinhos, alunos e primos não ficam atrás. Ainda por cima hj em dia os tempos são diferentes e a maldade tb. Converse muito, uma hora sem mais e sem menos eles mudam o comportamento o que não pode é deixar de lado o problema e tentar resolver depois e nem deixar de sair por causa disso.
Bju Vanessa
Toninha

Lis disse...

Não acredito que a coleira interfira na educação. Uma vez estava com meu filho olhando umas roupas e soltei por um segundo para pegar a roupa e levar ao provador...ele em um pista de olhos saiu de perto e se escondeu em baixo de outra arara de roupa e fiquei chamando e ele caladinho...Meu coração gelou! Meu filho tem dois anos e penso em comprar uma para locais como schopping, supermercado...
Penso no sofrimento da criança quando se sentem perdidas....