1 de março de 2013

O luto na adolescência


Essa semana foi difícil para mim: perdi um tio muito querido  Por conta desse fato triste, resolvi mudar o tema da minha postagem semanal.

Lidar com o luto já é delicado para os adultos. Imagine, então, para uma criança ou um adolescente. Já vivenciei alguns desses momentos com alunos de 12 a 15 anos e foi dificílimo. Mas, ao mesmo tempo, aprendi muito com isso.

No ano de 2012, vários alunos perderam o pai ou a mãe, que eram pessoas muito jovens, na faixa dos 40 anos. O que torna a situação assustadora é que isso está se repetindo com cada vez mais frequência. Não faz muito tempo, lidávamos com a perda dos avôs. Não digo de forma alguma que era mais fácil, mas, de uma certa forma, o adolescente já estava conformado (não sei se é essa a palavra certa), pois o avô ou a avó já eram mais velhos e essa acabava sendo uma "ordem natural".

Lidar com um pré adolescente ou um adolescente que perde o pai ou a mãe nessa etapa de tantas dúvidas e incertezas é bem complicado. Como cada um reage de uma maneira diferente, o professor precisa conhecê-lo bem para saber como ajudar nessa hora. Já tive casos que se afastaram e ficaram quietinhos no seu canto, outros que me procuram para conversar (principalmente os que sabem que perdi minha mãe e estão sentindo o que senti) e outros que só querem um colo para chorar, um abraço e a certeza que podem contar comigo naquela hora. Precisei de muita sensibilidade e força (e me surpreendi em saber que tiro essa força não sei de onde e consigo ajudar).

Esse é um dos papéis que nós professores também exercemos: o lado humano, o carinho e o apoio de quem está extremamente fragilizado e encontra uma fortaleza naquele que está ali para ensinar História, Geografia, Matemática, o que for. E esses momentos fazem muita diferença na vida deles. O lado humanizador da escola em seu ponto extremo. Por isso, acredito que aqueles que acham que a escola não condiz com o mundo real estão equivocados. Escola não é só estudo, mas um local onde as relações pessoais se constroem e reconstroem a cada dia.

Elaine

10 comentários:

Divagações da Mamãe Tê disse...

Com certeza não é nada fácil lidar com o luto... Pros adultos já é dificil, imagine uma criança e adolescente. Nessas horas o professor realmente precisa ter um olhar especial para esse aluno..

Levá-lo de forma natural para não deixá-lo muito inseguro, mas ao mesmo tempo acolhê-lo durante esse período dificil...

Esses dias morreu um aluno de 11 anos, vitima de acidente de carro, na escola da minha pequena Maria. Ficamos tristes, mesmo sendo de outro turno e rezamos a noite por ele..

Fico pensando nos pais e na criança que tinha uma vida pela frente..
São os mistérios da vida... e dolorosos..

Esse preparo é importante para o professor. Acho até que deveriam fazer cursos para lidar com esse tipo de situação...

Um beijo grande... Vou compartilhar na página do Bolhinhas de Sabão para Maria... Abraços.. Elaine.. meus sentimentos..

https://www.facebook.com/bolhinhasdesabaoparamaria


Anne Lieri disse...

Elaine,um lindo texto e que carrega muito de nossa realidade.Como consolar num momento em que somos nós que precisamos de consolo?Incrivel como as crianças parecem sentir mesmo que nada falemos e sua energia nos fortalece!bjs e bom fim de semana!

Toninha Ferreira disse...

Boa tarde Elaine,
lendo o seu texto lembrei-me da partida de meu pai. Parece que foi ontem Só me dei conta do amor que sentia por ele depois que partiu e isso vou carregar pro resto da minha vida. Não tive coragem de dizer o quanto amava... Mas não estou aqui para falar de meus sentimentos e sim parabenizar vc e a escola pela sensibilidade nesse momento de perda.
Bju

Prô Cris Chabes disse...

Olá Elaine, em primeiro lugar sinto muito sua perda
Realmente é muito difícil para uma criança/adolescente lidar com o luto. Nesta hora é preciso que um amigo, professor, parente se encarregue de dar apoio, pois geralmente o familiar mais próximo também está sofrendo com a perda e não consegue observar as alterações de comportamento em decorrência do luto.
Devíamos voltar com esse tema mais vezes.
Beijocas
Cris Chabes

Elaine Cristina Serrano Pirolo disse...

Obrigada pelo carinho! É um momento difícil, mas a gente acaba contando com tanto apoio, que fica mais forte para superar. Beijo!

Elaine Cristina Serrano Pirolo disse...

Obrigada, Anne! Beijo!

Elaine Cristina Serrano Pirolo disse...

Obrigada, Toninha! É mesmo um momento muito delicado, mas o carinho que temos por nossos alunos é tão grande que acaba nos dando mais força para ajudá-los.

Elaine Cristina Serrano Pirolo disse...

Eu acho um tema importante, sim, Cris e que não é muito discutido. Afinal de contas, estamos com os alunos durante um grande período do dia e podemos sim ajudá-los nesses momentos em que as estruturas familiares estão fragilizadas.

Vanessa Gonçalves Vieira disse...

Olá Elaine. Interessantíssimo seu pensamento. Somos um pouco de tudo na escola não é verdade. Essas relações afetivas são importantes na escola,muitas vezes nós conseguimos enxergar algo que os pais ainda não enxergaram. E que bom que existem aqueles que acreditam em nós e vem nos procurar. Parabéns pelo post.

Um abraço enorme para ti. E que seu coração seja confortado!
beijoacs!

Elaine Cristina Serrano Pirolo disse...

Obrigada pelo carinho, Vanessa!

Beijos!