12 de novembro de 2012

O EDUCADOR: O Estímulo e o Afeto


"O ato de educar não pode ser visto apenas como depositar informações nem transmitir  conhecimentos. Há muitas formas de transmissão de conhecimento, mas o ato de educar só se dá com afeto, só se completa com amor”.
Junto com o amor vêm o compromisso, o respeito, a necessidade de continuar a estudar sempre, de preparar aulas mais participativas, de repreender com pertinência, de abusar da paciência. Triste é o educador que já não acredita mais na capacidade de aprendizado, que não se debruça para examinar melhor a peculiaridade de cada aprendiz. A educação é em todas as dimensões, um grande desafio “. (Gabriel Chalita)”.


    Acredito que neste momento em que estamos vivendo onde a globalização tem aproximado continentes, temos presenciado ao mesmo tempo o afastamento do ser humano e o esfriamento de sentimentos. Mas ao mesmo tempo vários estudiosos têm sido unânimes em afirmar que o afeto é fundamental para o êxito dos nossos projetos e planos para a educação.
    O filósofo Hume dizia que “precisamos de paixões para motivar nossas ações”. O que ele diz não é diferente do que foi dito por Gabriel Chalita na citação acima, o afeto e o amor devem ser a válvula que nos move, que nos fazem continuar sem desistir ou desanimar, mas antes, aceitar este desafio.
     Se olharmos muitas vezes as circunstâncias que nos rodeiam somos paralisados por elas, mas nós educadores precisamos ter olhos como de águia e olhar acima das circunstâncias.
     Segundo a bióloga e psicopedagoga Marta Relvas “A afetividade acompanha o ser humano desde a sua vida intra-uterina até sua morte, se manifestando como uma fonte geradora de potência e energia. Pode ser comparada ao alicerce sobre o qual se constrói o conhecimento racional, logo, a aprendizagem deve ser prazerosa e ligada à ação afetiva”.
     É o afeto, a paixão que deve nos impulsionar para frente, nos levando a pesquisar, a buscar novos caminhos para alcançar nossos alunos respeitando as diferenças. Quando Gabriel Chalita nos fala em “examinar as peculiaridades de cada aprendiz” isto nos leva a Howard Gardner que acredita na Educação Personalizada, isso não significa um professor para cada aluno ou uma aula para cada aluno, personalizar a educação segundo a Teoria das Inteligências Múltiplas significa olhar a todos e a cada um ao mesmo tempo. A todo o momento eu vou me preocupar tanto com aqueles que avançam sozinhos, como com aqueles que ficaram para trás. As pessoas são diferentes, elas aprendem de formas diferentes e em tempos diferentes. Daí a importância do professor diversificar a sua aula, criar estratégias para alcançar a todos, estimulando-os a aprender.
    Trabalhando com as diferenças elevamos a auto-estima do nosso aluno. “Se uma criança tem opinião positiva sobre si mesma e sobre os outros, terá maiores condições de aprender, caso contrário, a criança poderá perder o interesse e o desejo de aprender, ficando indiferente diante do êxito e do fracasso. Esse sentimento poderá resultar, inclusive, problemas de aprendizagem e comportamento”. (Marta Relvas)
     “A cumplicidade entre querer ensinar e se permitir aprender” (G. Chalita). É importantíssimo estimular nossos alunos, conquistá-los para que eles se permitam aprender. Marta Relvas afirma: ”(...) quando um estímulo já é conhecido do Sistema Nervoso Central, desencadeia uma lembrança; quando o estímulo é novo desencadeia uma mudança”. Se queremos ver mudanças nos nossos alunos precisamos buscar novos estímulos. E ela completa: ”É nesse papel que o educador tem responsabilidade, pois não basta ler ou escrever sinais, mas sim dar sentido a todos os estímulos recebidos”. Para que estes estímulos funcionem é necessário que tenham sentido para o educando , é preciso valorizar o que eles trazem para a escola e partir daí para a busca de novas experiências. O estímulo tem papel importantíssimo na aprendizagem. Marta Relvas continua: “(...) a função principal do cérebro é aprender e não há limites, quanto mais se aprende mais o cérebro forma conexões, o importante é estimular o nosso cérebro”.    
      Não é deixando nossas crianças paralisadas, sentadas uma atrás da outra, olhando imóveis para o professor que estaremos estimulando nossos alunos. A Pedagoga Izabel Galvão ao comentar a teoria de Wallon afirma que: “Muitas vezes impedir a criança de se movimentar ao invés de favorecer que ela aprenda, pode impedir que ela aprenda, porque o pensamento da criança no primeiro momento é muito sustentado no movimento, então ela precisa se mecher, de vários modos, para construir um fluxo de pensamento”.
      Segundo a própria Marta Relvas, podemos estimular os nossos alunos explorando nossos sentidos biológicos. E quais são eles? Audição, visão, tato, paladar e olfato. Podemos utilizar vários instrumentos tecnológicos, os vários tipos de Mídia, atividades motoras, não importa precisamos explorar os sentidos biológicos de alguma forma criando estímulos que entrarão através deles. Mas para isso é necessário que nós educadores acreditemos na capacidade de aprendizado dos educandos. E que tenhamos em nossos corações o mesmo sentimento que houve em Paulo Freire quando afirmou: ”Lido com gente não com coisas”.
    Gostaria de encerrar como iniciei citando Gabriel Chalita: “A escola dos sonhos dos sonhadores, da poesia dos poetas, da maternidade, da luta dos lutadores começa com a crença de que, em se falando de vida-e como a educação é vida-, a solução está no afeto”.
  

Referencia Bibliográfica:

CHALITA, Gabriel. Educação: a solução está no afeto. - São Paulo: Editora Gente, 2001 1ª ed., 2004 edição revista e atualizada.

RELVAS, Marta Pires. Neurociências e transtornos de aprendizagem: as múltiplas eficiências para uma educação inclusiva. – Rio de Janeiro: WAK Ed., 2007.


AutoraAna Márcia da Silva Vieira, professora de Alfabetização (minha paixão) da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Formada em LETRAS pela UESA, Psicomotricista, Psicopedagoga e Pós-graduanda em Arte em Educação e Saúde.

Blog:  http://criandoealfabetizando.blogspot.com

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3 comentários:

Ana Márcia disse...

Obrigada por publicarem meu artigo, tudo o que escrevi neste artigo é o que eu acredito. Um grande abraço!!!

Vanessa Gonçalves Vieira disse...

Interessantíssimo Ana Márcia!
Falar de afetividade em nosso tempo é essencial e, por isso, deve ter um olhar cuidadoso. Não é simplesmente fazer o bem é perceber que sem ela o ser humano está incompleto. Gostei bastante.

Um abraço!

Prô Cris Chabes disse...

Olá Ana Márcia seja sempre bem vinda ao Educação em Foco, com seus textos e sua colaboração na Educação
Um abraço
Cris Chabes