10 de agosto de 2012

Uma palmadinha não dói?????

- Mãe, percebi que seu filho está com marcas vermelha no braço, o que aconteceu?

- Professora, perdi a paciência, estava nervosa pois havia brigado com meu marido e acabei descontando no meu filho. Também ele não parava de fazer barulho. Pedi para ficar quieto e ele não obedeceu. Sou a mãe e ele me deve obediência. Essa lei que proíbe os pais de bater nos filhos não ajuda a educar. Criança precisa de umas palmadas para aprender.

imagens do google

  • Por que essa narrativa da mãe, parece ser tão comum na nossa sociedade?
O Projeto de Lei 7672/2010 no seu artigo 17-B diz que " Os pais, integrantes da família ampliada, responsáveis ou qualquer outra pessoa encarregada de cuidar, tratar, educar ou vigiar crianças e adolescentes que utilizarem castigo corporal ou tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação, ou a qualquer outro pretexto estarão sujeitos às medidas previstas no art. 129, incisos I, III, IV, VI e VII, desta Lei, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.” (NR)  No caso do artigo 129 do Estatuto da criança e do adolescente, os pais poderão até perder o pátrio poder, que é o direito de cuidar de seus filhos.


Toda forma de violência contra a criança ou adolescente gera mais do que dor física, afeta principalmente o lado psicológico e também neurológico. Não podemos ser coniventes com essa afirmação de que uma "palmada no bumbum" não causa dor. A dor não é somente física. 

As raízes dessa prática violenta – a punição corporal – comum em nossa cultura, e em muitas outras, remontam à Antiguidade. Basta estudarmos com atenção a História da Pedagogia, a História da criança ou a História da infância para comprovarmos tal afirmação. A esse respeito, ver particularmente os trabalhos de Ariès (1978). 

Há, em diversas sociedades e também na sociedade brasileira, uma “cultura”, comum a todas as classes sociais, que reflete a dificuldade de reconhecer o outro como um sujeito de direito e permite práticas de violência corporal as mais variadas. Trata-se  de uma verdadeira “mania de bater,” como apontam Azevedo e Guerra (2001), que remonta ao período colonial (com a chegada dos colonizadores portugueses e dos padres jesuítas e seus métodos pedagógico-disciplinares). Essa cultura mantém a ideia de que os pais têm o direito e o dever de punir seus filhos a fim de “melhor educá-los” para o convívio em sociedade, corrigindo sua “natureza pecaminosa” ou “perversa” e enquadrando-os no “bom caminho”.

Observe a tabela abaixo:

A punição corporal doméstica, enquanto prática familiar, pode fortalecer-se a partir da aceitação “ingênua” da afirmação de que uma palmadinha no bumbum não faz mal e é até necessária ao bom desenvolvimento da crianças. 


Não acredito nisso! 


A criança deve ser protegida e amada por todos que a cercam, para crescer e tornar-se um cidadão seguro e respeitado por ser parte de um sistema maior denominado "Humanidade".


Vamos Refletir sobre isso?


Cris Chabes


Referências Bibliográficas 
  • ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
  • AZEVEDO, Maria Amélia.  Mulheres Espancadas: a Violência Denunciada.  São Paulo, 
  • Cortez, 1985. 
  • ________.  Notas para uma teoria crítica da violência familiar contra crianças e 
  • adolescentes. Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento. 4 ed. São Paulo: 
  • Cortez, 2005.  
  • ________.  Violência doméstica contra crianças e adolescentes – um cenário em (des) 
  • construção, Instituto de Psicologia da USP. Laboratório de Estudos da Criança. Disponível 
  • em:<http://www.ip.usp.br/labora torios/lacri/>. Acesso em 15/10/06. 
  • ________. Mania de Bater - A Punição Corporal Doméstica de Crianças e Adolescentes no 
  • Brasil. São Paulo: Iglu, 2000. 
  • ________; GUERRA, Viviane N. de A. A Violência Doméstica na Infância e na Adolescência. 
  • s/d. São Paulo: Robe, 1995.
  • http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/psicousp/v16n4/v16n4a06.pdf
  • http://www.zeroaseis.org.br/?p=513

5 comentários:

Juliana Reis disse...

Cris, muito obrigada pela sua visita no meu blog. Que bom que meu post te fez recordar!
Sempre falo sobre educação doméstica lá no blog. Estarei sempre por aqui agora.
Beijos

Genis disse...

Cris, não sou a favor de nenhum tapinha. Sou contra mesmo.
Adotamos isso aqui em casa e tem funcionado muito bem com JM.
Ninguém tem o direito de bater em ninguém!!
E as violências maiores começam com um "simples" tapinha... e só vão aumentando!
Bjus e foi ótimo vc trazer essa discussão aqui.
Genis

Profª Lourdes disse...

OlÁ Cris! vim trazer o meu abraço e encontrei um tema muito importante para ser refletido. Quantas das nossa crianças são agradidas e de forma violenta por alguem da sua família e pessoas próximas. Concordo com a reflexão da amiga Genis " ninguem tem direito em bater em niguem, especialmente em crianças. " A violência gera viol~encia e criança que vivem sendo agredidas seao pessoas violentas, revoltadas no futuro.Não concordo nem com tapinhas, hoje uma tapinha amanhã uma chinelada ou coisa pior.
Aproveito este espaço para convidar colegas professores para conhecer o meu blog, e se gostar participem, ficarei grata. Abraços uma linda noite e um domingo abençoado.

christina fatima disse...

Ola amo seu cantinho e estou sempre por aqui para olhar tudo q vc tem porque é tudo de uma bom gosto tremendo e por isso eu ja te sigo e sempre q posso estou aqui compartinhando das suas coisas... e estou te fazendo um convite especial tem dois blog e gostaria muito que vc me visitasse....se puder claro.
http://ministerioinfantilchrisgipebube.blogspot.com.br/
http://culinariachrisgipebube.blogspot.com.br/ grata

Educadores Multiplicadores disse...

Olá Multiplicadoras, estamos aqui por uma razão muito especial: Seu blog foi merecidamente um dos blogs que mais enviou visitas ao Educadores Multiplicadores (ou ao blog Marquecomx). Ficando o banner deste blog durante 30 dias do mês de agosto no topo da página do E.M.
Sendo assim, esperamos que seu blog tenha recebido mais visitas, que você tenha feito novas e boas amizades e que tenha feito outras boas parcerias.
Educadoras, se possível gostaríamos que você escrevesse algo sobre o ganho de seu blog ter conquistado o direito de ficar 30 dias do mês de agosto no topo da página. Sua opinião é muito importante para nós e para outros multiplicadores. (Lembrando que o mês de agosto foi apenas o primeiro mês de muitos, ainda melhores e mais volumosos de visitas virão).
Pedimos (se quiser) que contribua com sua opinião, então façamos o seguinte: No dia 30/08 disponibilizaremos uma nova página onde só os 6 blogs Destaque do Mês anterior poderão deixar um comentário respondendo o que foi proposto acima. Quais os ganhos que você e seu blog tiveram ao conquistar o direito de ficar por 30 dias no topo do blog Educadores Multiplicadores?
Além de você deixar registrado um pequeno texto nos comentários daquela página, citada acima, (se quiser) se escrever um pequeno texto (o mesmo texto dos comentários) e postar em seu blog, iremos pegar o link e fazer uma nova postagens com os textos dos 6 participantes lá no Educadores Multiplicadores no dia 01/09, enviando assim, leitores para seus blogs.
Observação: Lembramos que isto não irá interferir na “escolha” dos blogs do mês seguinte.

Qualquer dúvida entre em contato.

Somos gratos pela parceria, mas ela está apenas começando, temos ainda muito por comemorar. Muito obrigado a todos vocês.