28 de março de 2011

Planejamento na Educação Infantil

Iniciarei uma série de postagens sobre o Planejamento na Educação Infantil seguindo os Referenciais Curriculares da Educação Infantil,um documento que norteia as ações do professor neste nível de Ensino e propõe práticas pedagógicas de acordo com as necessidades da criança e da sua família.

Considero muito importante esclarecer que o professor na Educação Infantil planeja e prepara suas aulas de acordo com o nível de cada turma.Seja maternal ou pré escola, existe a necessidade de um bom planejamento que envolva todos os eixos de aprendizagem.

Iniciarei falando sobre :
Identidade e Autonomia:
1-Conteúdo:
*Eu-nome,reconhecimento do nome e representação escrita;
 Identificação dos pertences;
 História do nome e representação escrita;
*Meu corpo-observação,descrição e representação do corpo;
 Imagem corporal;
 Limites do próprio corpo;
*Eu e o outro-reconhecimento do outro;
 Respeito à diversidade:diferenças e particularidades;
 Os papéis no grupo social;
*Atitudes;Valores,dignidade,justiça,generosidade;
 Imitação;
 Cuidados pessoais;

2-Estratégias:
-Organização do espaço.Demarcação do espaço com nomes e fotos;
-Faz-de-conta,imitação,desenho,expressões faciais;
-Trabalhar com o nome(crachás);
-Jogos:bingo,memória;
-Utilização do espelho;


-Cantigas e brincadeiras("Siga o mestre", "Seu lobo");
-Exploração do corpo com a modelagem,o desenho,o mapeamento e recortes;
-Criação e utilização do baú de fantasias;

Fantasias fazem parte da rotina na Educação Infantil

-Criação de uma rotina,momentos que são referências:debate de normas,de regras e de papéis;
-Apreciação e leitura de obras de arte;
-Desenvolvimento de Jogos Corporais e de regras;
"É importante apresentar situações desafiadoras nas várias situações propostas"

3-Sugestões de projetos:
"Identidade"(criação de bonecos,histórias:"Bonequinha Preta"(Alaíde Lisboa),"Maricota sem dona"(Maria Mazzetti);
Boneca preta confeccionada pelos alunos do pré
"Crianças e seus modos de vida"

4-Indicadores de desempenho(avaliação diária):
-Apresenta hábitos de autocuidado;
-Faz uso do diálogo na resolução de conflitos;
-Apresenta argumentos(ouve e analisa as situações)
-Trabalha em cooperação,compratilhando suas vivências,demonstrando interesse e solidariedade;
-Reconhece-se como elemento de grupos sociais;
-Organiza o espaço de aprendizagem;
-Participa de pesquisa orientada;
-Demonstra evolução da motricidade,das percepções espaciais e temporais;
-Reconhece as partes do corpo,seus limites e possibilidades;
-Participa de situações de cooperação e solidariedade;
-Possui uma imagem positiva de si;
-Demonstra cuidados básicos com o corpo e o ambiente;
-Possui comunicação clara e objetiva;

Também costumo fazer uma companhamento individual das crianças através de portfólios(durante todo o ano,recolho atividades mensais) :
-Esquema corporal
-Desenho
-Escrita

27 de março de 2011

O QUE PRECISAMOS FAZER PARA REINVENTAR A ESCOLA?


Olá queridos,
Hoje gostaria de compartilhar com vocês um texto que publiquei lá no blog Transformar. Ele fala sobre as atitudes que nós, sujeitos da escola, precisaríamos e precisamos tomar para reinventar a nossa escola. Espero que gostem. Estarei aguardando ansiosamente os comentários de vocês.  



"Como promover uma escola que seja capaz de mudar e se transformar sem perder o conteúdo? E principalmente, como fazer tudo isso e manter os alunos focados e motivados no processo de seu desenvolvimento como indivíduo  e de sua formação?" *(Max Haetinger)



É com essas duas perguntas que Max Haetinger - em reportagem à revista Aprendizagem- nos instiga a pensar sobre  as carências da escola que temos atualmente. Segundo o autor nos últimos anos temos sido bombardeados por novos termos, novos olhares e novos valores tanto na vida como na educação. E diante de tantos dilemas professores e gestores se esforçam para tentar se atualizar e gerar 'novas' saídas para 'velhos' problemas como a relação entre alunos, professores e conhecimento. 
Na tentativa de responder a essas e a tantas outras perguntas Max baseia-se nas afirmações de MORIN, que afirma que essas carências (dilemas) são frutos CULTURAIS. 

- "Talvez tenhamos nos esquecido que educar 
é fundamentalmente um ato de interação 
e troca cultural e não um processo de transmissão 
e acumulo de conceitos e formulas". - 







Será que já paramos para pensar nessa possibilidade? Temos consciência de que o fracasso escolar é cultural porque não sabemos valorizar a cultura?  E o que fazer então para reverter essa situação? Que atitudes tomar para que haja interação entre Escola e alunos? 




Para responder a essas perguntas Max nos leva a refletir sobre três palavras:

CRIATIVIDADE


Essa é uma das principais ferramentas da construção. A criatividade é o diferêncial dos vencedores, quem gera novas ideias é quem se destaca. Se antes nossa preocupação era armazenar e ensinar os alunos a armazenas informações, hoje nossa preocupação deve estar voltada para a forma como utilizaremos tais informações, como elas podem se encaixar em nossas produções diárias? 
Assim é de extrema urgência que nós, professores e escolas, entendamos que na sociedade em que vivemos tona-se de suma importância mudar a forma de propor e interagir com o conhecimento.



INOVAÇÃO

Inovar na sociedade de hoje é uma necessidade não uma opção! Ou estamos sempre em atualização, inovando ou ficamos para trás em instantes... Será que é por isso que a escola tem ficado para trás? 
vivemos em uma era na qual , em segundos, as coisas se transformam e na qual o mundo está ao alcance de todos. Nossos jovens, através dos computadores  e de muitos outros meios se conectam com esse mundo globalizado e rapidamente transformam sua forma de ser, fazer e conviver, portanto para que tenha um discursos coerente e em condições de por em prática tudo o que significa EDUCAR, precisamos nos adaptar e estar em constante transformação.
Fazemos isso quando nos perguntamos se há uma melhor forma de trabalharmos determinado conteúdo, quando nos preocupamos com as diferentes realidades apresentadas em sala de aula, quando provocamos discussões sobre temas de interesse da turma e principalmente, quando estamos conscientes de que assistir aula neste século não significa aprender, mas que APRENDER significa INTERAGIR.


ENCANTAMENTO

Não menos importante do que as outras palavras, essa vem com peso dobrado. Segundo o autor se buscarmos as definições formais veremos que encantar é exercer influência mágica, fascinar, cativar pessoas, provocar admiração. Durante muito tempo o professor teve esse 'poder' de encantamento e hoje em dia, será que ainda tem? Antigamente os alunos se  encantavam pois criam que o professor era alguém sabia muito. Hoje em dia encantar deve ser visto pelo professor como fazer aquilo que o aluno não espera, alunos gostam de ser surpreendidos. Cabe então ao educador realizar coisas novas, praticar a INOVAÇÃO e principalmente buscar de seus alunos a CRIATIVIDADE no tratamento dos temas e conteúdos. 
Só agindo dessa forma é que teremos uma escola encantada, uma escola onde professores se encantam com alunos e os alunos, em retribuição, fazem o movimento contrário. Interagindo dessa forma poderemos construir de verdade a geração do futuro, com novos valores, conhecimentos, novas ideias, tão necessários diante desses novos desafios com os quais temos nos deparado.
Somente com CRIATIVIDADE, INOVAÇÃO e ENCANTAMENTO será possível inventar Reinventar a escola e torná-la a escola de nossos sonhos.

Fonte: Revista Aprendizagem
ano3 nº 15/2009
Reportagem: 
 Criatividade, inovação 
e encantamento: 
a reinvenção da escola

26 de março de 2011

Inclusão Escolar


“Amar não significa tornar o outro adaptado, submisso ou semelhante a nós. Amar significa libertá-lo, deixá-lo livre, deixá-lo viver.” Penny Mc Lean


Inclusão escolar não significa promover a adequação ou a normalização de acordo com as características de uma maioria e sim, a um significado de fazer parte conviver e não se igualar.

A idéia fundamental de inclusão é a de adaptar o sistema escolar às necessidades dos alunos. A inclusão propõe um único sistema educacional de qualidade para todos os alunos, com ou sem deficiência e com ou sem outros tipos de condição atípica.


A inclusão se baseia em princípios tais como:

A aceitação das diferenças individuais como um atributo e não como um obstáculo;

A valorização da diversidade humana pela sua importância para o enriquecimento de todas as pessoas;

O direito de pertencer e não de ficar de fora;

O igual valor das minorias em comparação com a maioria.

O processo de socialização se dá de uma forma muito complicada, deve ser um trabalho realizado junto com todos os envolvidos no processo: pais e toda a comunidade escolar.

Haverá momentos de exclusão por alguns grupos e isto deverá ser trabalhado inicialmente antes de qualquer atividade, pois é de praxe a aproximação do ser semelhante excluindo o ser diferente.

A inclusão escolar deveria partir de cada educador que está dentro de uma escola e não imposta na maneira como acontece, hoje, dentro das escolas.

Olhar para os alunos ditos “especiais” como um ser humano igual a qualquer outro, mas que precisa de uma atenção especial do educador, sem discriminações.

A inclusão escolar pode ter muitos avanços, basta os educadores se dedicarem mais aos alunos especiais, fazendo planejamentos mais adequados à realidade desses alunos e criar uma ponte com os conteúdos programáticos exigidos pelas escolas.

 

No ano de 2010, tive uma experiência com um aluno especial. A minha turma era de alfabetização, com 26 alunos, um deles era especial, retraído e isolado, sempre procurava fazer meus planejamentos adequados às necessidades dele e promover a interação com o restante da turma, para que não se sentisse excluído do grupo, obtive resultados bons.

Acredito que uma das soluções para a inclusão escolar acontecer de verdade, hoje, é que as escolas, em especial, os educadores, não olhem para as dificuldades e barreiras que virão pela frente, mas trabalhar com o que temos e procurar alcançar os objetivos pretendidos.


O único foco sendo a aprendizagem, a formação do caráter do nosso aluno. Desta maneira, a inclusão poderá se promovida por todos.

Deve reconhecer-se que a integração dos alunos com necessidades educativas especiais implica muito mais do que colocar simplesmente o aluno numa escola regular. 

Trata-se de um processo em que o aluno tem oportunidades para se desenvolver e progredir em termos educativos para uma autonomia econômica e social. 

A integração é igualmente um processo em que as próprias escolas necessitam de mudar e de se desenvolver com o objetivo de proporcionar um ensino de elevado nível a todos os alunos e o máximo de acesso aos que têm necessidades educativas especiais.



25 de março de 2011

AUMA Associação dos Amigos da Criança Autista

Fiz um curso em 2008 com Eliana Rodrigues Boralli a fundadora da Auma, pois tinha uma aluna com autismo e queria poder ajuda-la de forma correta. Uma pessoa maravilhosa que lutou e aprendeu tudo o que podia sobre diferentes áreas com o objetivo de ajudar sua filha. Mas ela não podia deixar tantas outras crianças sem assistência e assim nasceu a AUMA.

Se você é professora e ama seu trabalho então precisa conhecer essa associação.

A AUMA – Associação dos Amigos da Criança Autista – é uma entidade assistencial, sem fins lucrativos, fundada na cidade de São Paulo, em 25 de Janeiro de 1990, que tem como objetivo maior criar programas educacionais de adaptação social de crianças autistas.
Nasceu da dificuldade da Sra. Eliana Rodrigues Boralli em encontrar vaga para sua filha autista.


No início, foi tudo muito difícil. Os trabalhos foram desenvolvidos três meses na residência da Sra. Eliana. Depois, uma sala foi cedida em outra entidade (Auta de Souza) e, posteriormente, através da Campanha “Pingo de Gente” da Lorenzetti, adquiriu-se a sede própria.Em fevereiro de 1993, a Associação iniciou seu trabalho na sede localizada à Rua Félix Pacheco, 91, no Alto de Santana – São Paulo, entretanto, esta sede tornou-se
pequena, porque as crianças cresceram e o número de atendimento aumentou.
Hoje, a sede localiza-se à Rua César Zama, 257 no bairro de Santana, em uma área de 3.000 m2, carinhosamente conhecida como “O recanto dos Tuins”, área esta que foi concedida pelo Estado, através de um decreto assinado pelo governador Dr. Geraldo Alckmin.


Depois de ter transposto parte das dificuldades, a AUMA realiza inúmeras atividades do seu programa de atendimento social e entre elas estão:

a) atendimento de orientação, encaminhamento e treinamento de familiares;

b) treinamento e orientação de profissionais interessados e estudantes;

c) esclarecimento à comunidade em geral, através da divulgação da temática autismo e

d) atendimento educacional de crianças e adolescentes autistas, um atendimento com todas as características de escola, onde os resultados poderão servir para pesquisas futuras e, acima de tudo, uma escola onde as crianças são vistas e compreendidas como alunos; uma escola onde a intervenção ocorre na pessoa e não somente no autismo.


Conheça a AUMA

24 de março de 2011

Como falar de sexo com as crianças?

Eu tive uma turma de 5º ano muito diferente das outras turmas que tive antes.
Já falei sobre eles algumas vezes aqui no Blog.
Os alunos eram muito curiosos e me deixavam louca com tantas perguntas.

Não tinha um só dia que podia chegar despreparada, sem ter um planejamento prévio bem elaborado.
É verdade que meus planejamentos quase sempre eram mudados e improvisados de última hora, pois eles eram capazes de fazer com que eu mudasse tudo de uma hora pra outra....rsrs
Isso me fez crescer muito como professora.


Eles esperavam ansiosamente pela Aula de Ciências.
Apesar de não termos um horário específico de aulas, eles sempre perguntavam: Profª, hoje vamos ‘usar’ o livro de Ciências?
Eu achava o maior barato esse tipo de pergunta.
Na verdade, o que eles queriam perguntar era: Profª, quando iremos falar sobre sexo...?


O livro de Ciências (Interagindo, Ed. do Brasil), traz um capítulo sobre “O controle do organismo e sua capacidade de reprodução”.É claro pessoal, que a garotada já tinha pelo menos olhado as ‘figurinhas’ que o livro trazia sobre o assunto...


Não pude esperar muito e deixar que esse assunto se encaixasse perfeitamente em algum projeto em andamento na escola.
Os alunos a cada semana ficavam mais curiosos e as perguntas eram quase que diárias sobre o ‘uso’ do tal livro de Ciências.


Bem, para acabar com o ‘fogo’ da galerinha, fiz o seguinte:
  • Fiz uma urna usando uma caixa de sapato para que eles depositassem as perguntas sobre o assunto.
  • Pedi para que eles fossem bem sinceros ao escrever as perguntas e não precisariam colocar o nome (detalhe: eu conhecia a letrinha de cada um de longe...rsrs).
  • A caixa ficou numa mesa no fundo da sala durante uma semana.
  • Marquei então um dia o qual eu iria responder TODAS as perguntas feitas por ele.
Vou confessar um crime, levei a caixa pra casa e li todas as perguntas antes...
É claro, eu precisava me preparar para as respostas!!


O tão esperado dia chegou!
Coloquei a caixa sobre minha mesa e fui abrindo pergunta por pergunta e em voz alta eu lia e respondia.
Meu Deus! Cada pergunta ‘cabeluda’!!!!rsrs


Nesse dia, ficamos por conta disso. Foram muitasssssssss perguntas, dezenas e dezenas.
Algumas se repetiam, mas mesmo assim eu lia e respondia novamente na certeza de que não ficasse nenhuma dúvida.
Uma aluna no final do dia me disse assim: Profª, vou ser freira... rsrs


Antes de realizar essa atividade, eu conversei com a minha Coordenadora Pedagógica e li algumas perguntinhas pra ela.
Eu não podia ficar sozinha nessa.
Eu não sabia como as famílias iriam reagir.


No outro dia, após a ‘aula de sexos’, vários pais mandaram bilhetinhos nas agendas.
Eu havia pedido para que as crianças falassem com os pais sobre a aula e etc.
A reação dos pais foi muito positiva.
Uns me procuraram pessoalmente e me agradeceram porque não sabiam como falar com os filhos sobre o assunto e tinha certeza que eu o fiz de forma certa e cuidadosa.


Depois desse dia, a curiosidade dos pequenos cessou.
Consegui uma maior cumplicidade com eles e sempre procurava agir o mais natural possível.
Penso, que o mais importante foi minha preparação prévia sobre o assunto.
Ter lido as perguntas antes de responder fez toda a diferença!


Procurei fazer uma relação com os conteúdos do livro às perguntas deles (sistema genital masculino e feminino, ciclo menstrual, gravidez, puberdade, anticoncepção, DST, homossexualismo etc etc etc).
Respondi a TODAS as perguntas, sem exceção, e isso também fez com que eu conquistasse a confiança de cada um.


Se você não sabe como conversar com seu filho ou com seus alunos sobre sexo, deixo aqui a sugestão da urna de perguntas e abaixo um texto muito bacana de “Como falar de sexo com as crianças”.


Boa sorte! Genis




Como falar de sexo com as crianças?

O simples fato de pensar em falar com as crianças sobre sexo deixa a maioria dos pais apavorados. Apesar de a maioria dos adultos com filhos se considerar responsável pela tarefa, pesquisas demonstram que a mesma é freqüentemente adiada até o momento em que alguma situação torna a questão imperativa e inevitável.



Como as crianças dificilmente vão receber informações honestas, positivas e adequadas sobre sexo de outras fontes e uma educação sexual ampla vai permitir que elas façam escolhas saudáveis e felizes quando adultas, selecionamos algumas dicas para ajudá-la a falar com suas crianças sobre sexo.
  • PREPARE-SE. Este é o passo mais importante que a maioria de nós esquece! Apesar de nossas melhores intenções é muito fácil adiar o papo com as crianças até o momento que nos deparamos com nosso filho brincando de médico e enfermeira com o filho do vizinho ou se masturbando na sala. Portanto prepare-se com antecedência para não ter que improvisar.
  • AVALIE O QUE É IMPORTANTE PARA VOCÊ EM RELAÇÃO AO ASSUNTO. Pense em quais são seus valores sexuais, sobre como você aprendeu sobre sexo e se quer que a experiência dos seus filhos seja igual à sua. O que você pensa que seus filhos devem saber sobre sexo? Onde você acha que eles devem obter informações sobre o assunto? Quais são as suas atitudes pessoais em relação ao sexo? Quais são os valores de seu parceiro/a? Converse com ele/ela e definam em conjunto e de forma consensual sobre a maneira que desejam educar os seus filhos sobre sexo.
  • FALE SOBRE SEXO. Falar sobre sexo é difícil na nossa cultura. Se você tiver dificuldade em falar no assunto com seus amigos e parceiro/a falar com suas crianças provavelmente será mais difícil ainda. Pratique. Pode fazer uma enorme diferença na sua vida sexual e no seu dia a dia contar com uma rede de relações (amigos, parentes) com os quais você pode conversar de forma normal sobre sexo. Descubra um vocabulário com o qual você fique confortável. Pense em frases para falar para as crianças. Por exemplo, qual a frase que você usaria para definir sexo?
  • REVEJA A IDÉIA DO "GRANDE PAPO”. Sexualidade é um assunto muito importante nas nossas vidas para se resumir em uma única conversa. Pense em se tornar para as crianças uma espécie de orientadora ou conselheira que estará disponível para dar respostas às indagações que elas tiverem a cada momento. Tire proveito das situações que surgirem no dia a dia - temas de sexo em filmes e novelas da TV, cenas de bebês e mulheres grávidas. E lembre-se de repetir as lições várias vezes de diferentes maneiras.
  • AMPLIE SUA NOÇÃO DE EDUCAÇÃO SEXUAL. A maioria dos currículos de educação sexual das escolas limita-se à questão da reprodução ou no máximo sobre transmissão de doenças, sexo seguro e controle de natalidade. Existem boas razões para ensinar mais do que estas noções básicas para as crianças e principalmente para os adolescentes. Muitas meninas desta faixa etária apresentam problemas de DST (Doenças sexualmente transmissíveis) porque aprenderam que sexo é intercurso vaginal e não sabem que sexo oral ou anal também representa um risco potencial para a transmissão de doenças. Quando ensinamos para as crianças habilidades sociais tais como ser um bom amigo, damos a elas ferramentas para manter relacionamentos adultos bem sucedidos. Lições cotidianas sobre privacidade, respeito aos limites pessoais e consentimento são cruciais para construir uma vida sexual futura saudável e bem sucedida.
  • PROCURE PENSAR COMO CRIANÇA. Crianças pensam de forma literal. Como conseqüência o uso de metáforas sobre passarinhos pode não funcionar e dar margem a muitas dúvidas. É importante ensinar para as crianças sobre seu próprio corpo e sobre o corpo humano. Não se preocupe em falar "demais" muito "cedo" estudos demonstraram que falar honestamente sobre sexo com as crianças não causa nenhum dano psicológico. Ao contrário, demonstram que as crianças que recebem educação sexual de forma consistente fazem escolhas melhores para si mesmas quando adultas e apresentam menor nível de DST e de gravidez indesejada.
  • SEJA HONESTA. É muito importante ser honesta nas informações que você passar para as crianças e, mais ainda, ser honesta em relação a como você se sente falando no assunto. Se se sentir desconfortável ou apreensiva falando no assunto fale francamente o quanto a tarefa é difícil para você. Experimente uma destas frases: "Eu me sinto meio desconfortável falando de sexo, mas me sinto feliz que você tenha feito esta pergunta..."; ou "Eu fico com medo de falar sobre este assunto com receio que você...” Você não precisa saber tudo nem se transformar em uma especialista para responder as perguntas. Consulte alguns livros sobre o assunto como: “Sexo: Como orientar seu filho" de Marcos Ribeiro ed. Planeta do Brasil, "Sexo: é hora de conhecer" de Drica Pinotti da ed. Alegro ou "Conversando com a criança sobre sexo" de Gerson Lopes e Mônica Maia da editora Autentica.
  • FALE DE FORMA POSITIVA. Muitos de nós aprendemos as noções básicas sobre reprodução em aulas de educação sexual sempre seguida das seguintes advertências: "Não pratique sexo. Você pode pegar uma doença e até morrer" ou "Você pegará uma doença que vai arruinar a sua vida" ou "Você ficará grávida e vai arruinar a sua vida..." Apesar de vivermos em uma sociedade que inunda os espaços públicos com imagens sexuais para alimentar o consumismo não há ninguém que nos diga que sexo é uma parte boa, feliz e saudável da vida adulta. Infelizmente não passamos esta imagem para as crianças. Portanto encontre formas de passar valores sexualmente positivos nas suas conversas com as crianças. Isto pode incluir ensinar tanto as meninas quanto os meninos sobre menstruação, falar sobre masturbação, sobre a necessidade de aceitar pessoas com diferentes inclinações sexuais, definir palavras como orgasmo e ereção e mostrar para as meninas onde fica o clitóris e como ele funciona.
  • COMPARTILHE SEUS VALORES. Fale com as pessoas que cuidam de seus filhos ( babás , empregadas, professoras, avós, tias etc.) quais são seus valores sexuais e de que forma você denomina as partes do corpo. Combine com eles de que maneira quer abordar as questões sobre sexualidade que possam surgir na sua ausência.
  • NUNCA É CEDO DEMAIS. Com 5 anos de idade ou com 15 anos nunca é cedo para abordar tópicos relacionados com a sexualidade. O ideal é o mais cedo possível. Apesar de ser mais fácil falar com as crianças menores porque elas ainda não se sentem envergonhadas de seu corpo na nossa sociedade normalmente se espera até a pré adolescência que é exatamente o período no quais as crianças estão mais inconfortáveis com relação ao seu corpo e quando elas não querem muito "papo" com adultos em geral e com os pais em particular.
  • NUNCA É TARDE DEMAIS. Se você adiou a conversa sobre sexo até seus filhos se encontrarem na adolescência seu trabalho certamente será mais difícil, mas continua sendo de sua responsabilidade. Nunca é tarde para dizer: “Sabe eu me sinto muito mal de nunca ter falado com você sobre sexo. Eu me sentia muito embaraçada para falar neste assunto antes, mas...”
5º ano de Escolaridade - Professora Genis



Um super beijo e paz,
Profª Genis.

Twitter: @genislene


23 de março de 2011

Profissão: Coordenador Pedagógico (parte 2)

A função do coordenador pedagógico tem se consolidado, mas os próprios coordenadores muitas vezes não sabem qual é sua função. É o que uma pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita, no ano de 2010 onde revela que apenas 9% dos coordenadores acreditam que faz parte do seu trabalho realizar um planejamento pedagógico e buscar melhorias para o ensino, aprendizagem e dificuldades dos alunos, um número assustador na educação do Brasil.
A escola tem como objetivo sustentar uma prática pedagógica inovadora e a coordenação tem sua real função, que é a da formação continuada.
O coordenador deve passar menos tempo produzindo papéis e mais se dedicando ao triângulo professor, aluno e aprendizagem. Dando respaldo a cada um deles.
A formação continuada de professores deve acontecer em vários níveis, não apenas na escola. Como acontece com profissionais de outras áreas, também os docentes se beneficiam com o alargamento de seu repertório cultural. É importante, também, que o professor se mantenha atualizado e informado inclusive para que os encontros de formação dentro da escola sejam mais produtivos, com mais possibilidade de troca de experiências e conhecimento.
A formação continuada que acontece na escola isto é quando acontece, deve centrar-se naquela realidade e nas necessidades do grupo de professores. É uma formação compartilhada, centrada nas experiências e dilemas enfrentados pelos professores empenhados na superação das dificuldades identificadas.
A formação dentro da escola é essencial, porque é o único espaço de contextualização do trabalho dos professores. Fora da escola, os problemas são mais genéricos e não fazem parte daquele universo especifico. O coordenador vai focar a formação em uma situação única: naquela escola, naqueles alunos, naqueles índices, naquele cotidiano vivido pela equipe e que deve ser problematizado. A existência de processos de formação continuada individual é fundamental para que a formação seja potencializada, complementando o processo. 
Tudo o que venho citando nos artigos sobre coordenador pedagógico ainda é um grande sonho para a maioria das escolas no Brasil, tem coordenadores que faz valer seu profissional, mas tem muitos que não deveriam nem ser chamados de coordenadores.
O coordenador precisa ser um articulador, orientador do trabalho coletivo um representante da educação.


Referencia: Formação de professores: pensar e fazer, de Nilda Alves (Cortez, 2006)


.Gostaria de receber um feedback  sobre o assunto abordado. Lembrando nada de ofensas e não precisa citar nomes.

21 de março de 2011

Autorretrato

Entre algumas atividades relacionadas ao Projeto Identidade na Educação Infantil, falamos sobre nosso corpo e suas partes. Fizemos a observação de telas famosas de autorretratos. Observamos detalhes, expressões, traços e cores. Expliquei o que era um autorretrato e sugeri que cada um fizesse o seu. Antes explorei a imagem de cada criança: como eles eram, quais as suas características principais (cabelo,olhos e outros); observaram-se no espelho e depois com tintas e pincéis fizeram as suas telas!  
Autorretrato (Tarsila do Amaral)

Autorretrato (Tarsila do Amaral)

Autorretrato de Paul Cézanne

Autorretrato de Van Gogh

O resultado foi encantador:






20 de março de 2011

TUDO O QUE EU PRECISAVA SABER APRENDI NO JARDIM DE INFÂNCIA




Olá,
Hoje gostaria de compartilhar com vocês este lindo texto. Segundo ele tudo o que precisávamos saber aprendemos no Jardim da Infância. 
Resolvi compartilhá-lo com vocês pois acho que é um dos melhores textos para reuniões de pais e porque entendo que ele nos traz uma boa reflexão sobre a vida de um modo geral.
É importante sermos bons profissionais, é importante nos preocuparmos com o rumo que toma a nossa área de trabalho, mas também é importante nos preocuparmos com as nossas vidas, pois sem elas o resto não poderemos fazer. 
Bom domingo para vocês!




A maioria das coisas que eu realmente precisava aprender sobre como viver, fazer e ser, eu aprendi no Jardim de Infância. Sapiciência não se encontrava no topo da montanha das escolas de pós-graduação, mas na areia da creche.

Essas são as coisas que aprendi: Compartilhe todas as coisas, 'jogue limpo' e não bata nos colegas. Não pegue nada que não sehja seu, limpe a bagunçaque você fez e coloque tudo nos seus lugares. Peça desculpas quando você magoar alguém. Sempre dê descarga e lave as mãos, sobretudo antes das refeições. Viva uma vida equilibrada: além de trabalhar, desenhe, pinte, conte e dance um pouco todos os dias. Lembre-se também de que leite frio e biscoito fresquinhos podem ser bons para você.

Tire uma soneca todas as tardes e, quando sair às ruas, cuidado com o trânsito. Dêem as mãos e permaneçam juntos. Cultive a sua imaginação: lembra-se da semente de feijão que a professora colocava no vaso com água? As raizes cresciam para baixo e as folhas para cima e ninguém sabia explicar o porquê. Nós somos parecidos. Os peixinhos do aquário, os passarinhos da gaiola e as sementes de feijão, todos morrem e nós também.

Recorde-se do grande e melhor conselho da época: Olhe! Olhe ao seu redor! Tudo o que você precisa saber está ai a sua volta. AS regras de ouro: paz, amor, ecologia e uma vida saudável.

Imagina como o mundo seria melhor se todos tivessem um lanchinho com leite e biscoitos as três da tarde e, em seguida, tirassem uma soneca... imagine se fosse uma política nacional que todos os cidadãos tivessem que limpar a sua própria bagunça e colocar as coisas de volta em seus lugares... Imaginem se todos dessem as mãos e permanecessem juntos... imaginem...

(texto de Robert Fulghum, adaptação e tradução de Paulo R. Motta)

18 de março de 2011

TDHA - Uma doença inventada?

Muitas vezes já ouvimos esse termo na escola, nos meios de comunicação ou no meio social (parentes, amigos, cursos), mas o que é o TDHA - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?

No ambiente escolar é comum associar o termo a alguma criança agitada ou desatenta, correndo o risco de rotula-la com um diagnóstico, mesmo não tendo habilitação específica para isso.

Assim buscando esclarecer o assunto com maiores informações encontrei a ABDA, uma associação que discute e pesquisa o assunto junto a comunidade médica e acadêmica.

O texto acima foi redigido por: Paulo Mattos – Presidente do Conselho Científico da ABDA– Psiquiatra LINK

TDAH É UMA DOENÇA INVENTADA?

Você certamente já leu ou ouviu em algum lugar que o TDAH “é uma doença inventada pelos laboratórios farmacêuticos” ou que é uma “medicalização” de comportamentos de indivíduos que são simplesmente diferentes dos demais. Então vamos aos fatos:

1) O que hoje chamamos de TDAH é descrito por médicos desde o século XVIII (Alexander Crichton, em 1798), muito antes de existir qualquer tratamento medicamentoso. Não existia sequer aspirina... No inicio do século XX, aparece um artigo científico publicado numa das mais respeitadas revistas médicas até hoje, The Lancet, escrita por George Still (1902). A descrição de Still é quase idêntica a dos modernos manuais de diagnóstico, como o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria. Se fosse uma doença “inventada” ou “mera conseqüência da vida moderna”, você acha que seria possível atravessar quase dois séculos com os mesmos sintomas?

2) Os sintomas que compõem o TDAH são observados em diferentes culturas: no Brasil, nos EUA, na Índia, na China, na Nova Zelândia, no Canadá, em Israel, na Inglaterra, na África do Sul, no Irã... Já chega? Pois se fosse meramente um comportamento secundário ao modo como as crianças são educadas, ou ao seu meio sociocultural, como é possível que a descrição seja praticamente a mesma nestes locais tão diferentes?

3) Se o TDAH fosse meramente “um jeito diferente de ser” e não um transtorno mental, por que os portadores, segundo os dados de pesquisas científicas, têm maior taxa de abandono escolar, reprovação, desemprego, divórcio e acidentes automobilísticos? Por que eles têm maior incidência de depressão, ansiedade e dependência de drogas?

4) Se o TDAH fosse “uma invenção da indústria farmacêutica”, você esperaria que a Organização Mundial de Saúde – órgão internacional máximo nas questões relativas à saúde pública sem qualquer vinculação com a indústria farmacêutica – listaria o transtorno como parte dos diagnósticos da Classificação Internacional das Doenças não só na sua última versão (CID-10) como nas anteriores (CID-8 e CID-9)? Pois é, ele está lá no capítulo dos transtornos mentais – vide o site http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm

5) Se o TDAH fosse secundário ao modo como os pais educam seus filhos, por que motivo as famílias biológicas de crianças com TDAH que foram adotadas têm prevalências (taxas) de TDAH bem maiores do que aquelas encontradas nas suas famílias adotivas? A única explicação possível: é um transtorno com forte participação genética.

Leia o texto na integra