21 de outubro de 2011

Série Grandes Pensadores da Educação: Winnicott

Conheci os trabalhos de Winnicott na pós graduação em Psicopedagogia.
Como médico pediatra ele atendia mães que traziam seus filhos para uma consulta rotineira e observava que muitas vezes a criança não apresentava patologia alguma, mas a angústia da família em não saber lidar com certos aspectos comuns à infância ocasionavam sintomas  como febre, dores abdominais, dores de cabeça em seus filhos.
Assim solicitava alguns exames e quando esses apresentavam diagnóstico bom as mães ficavam tranquilas e os sintomas na criança simplesmente desapareciam.
Ele passou a pesquisar essa regularidade em suas consultas e os resultados dessas pesquisas foram incorporados na educação escolar. 
Em São Paulo, há um colégio que segue as linhas de trabalho propostas por Winnicott Acesse e leia artigos muito interessentes.
Abraços
Cris Chabes
imagens do Educar para Crescer
Frases de Donald Winnicott: 
"O precursor do espelho é o rosto da mãe."

"O buscar só pode vir a partir do funcionamento amorfo e desconexo, ou talvez do brincar rudimentar, como se em uma zona neutra. É apenas aqui, nesse estado não integrado da personalidade, que o criativo, tal como o descrevemos, pode emergir."


O psicanalista Donald Winnicott trabalhava com crianças separadas de suas famílias em consequência da Segunda Guerra Mundial quando encontrou um interessante campo de estudo que lhe permitiu perceber etapas fundamentais do desenvolvimento da pessoa. Donald Winnicott constatou, por exemplo, a importância do brincar e dos primeiros anos de vida na construção da identidade pessoal. As conclusões a que ele chegou são preciosas para o trabalho dos educadores.

Boa parte dos conceitos de Winnicott se refere ao "desenvolvimento emocional primitivo", cujos efeitos, segundo ele, são de importância crucial para o indivíduo por se estenderem para além da infância. Muitos problemas da fase adulta estariam vinculados a disfunções ocorridas entre a criança e o "ambiente", representado geralmente pela mãe.

Os conceitos de verdadeiro e falso self (em inglês, palavra que se refere à própria pessoa) são um bom exemplo. "O self se forma com base nas experiências que o bebê acumula", diz o psicanalista Davy Bogomoletz, de São Paulo. "É aquilo que, embora indefinível, faz o indivíduo sentir que ele é único." A relação com a mãe leva o bebê a administrar a própria espontaneidade e as expectativas externas. "Se a mãe aceitar as manifestações do bebê - como a fome, o desconforto, o prazer e a vontade -, em vez de impor o que acredita ser o certo, o bebê vai acumulando experiências nas quais ele é sempre o sujeito, e o self que se forma pode então ser considerado verdadeiro", explica Bogomoletz. Porém o self construído em torno da vontade alheia é o que Winnicott chama de falso e que priva o indivíduo de liberdade e de criatividade.

Aconchego e proteção
Uma das frases famosas de Winnicott é "não existe essa coisa chamada bebê", querendo dizer que não há criança sem uma mãe (que não precisa ser necessariamente a que deu à luz). Vem daí a idéia da "mãe suficientemente boa", aquela cuja percepção - consciente ou inconsciente - das necessidades do bebê a leva a responder adequadamente aos diferentes estágios do desenvolvimento dele. Isso faz com que se crie um ambiente - nomeado por Winnicott de holding (cuja melhor tradução para o português, segundo Bogomoletz, seria "colo") - propício a um processo de formação de um ser humano independente. "O holding é o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria fornecidos pela mãe", diz ele. Começa como algo vital, como o oxigênio e a alimentação, e se dilui conforme o bebê cresce.

"Os educadores devem fornecer holding no ambiente escolar", segundo Bogomoletz. Isso significa tratar cada aluno como ele precisa. O termo "inclusão", se levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso - geralmente boazinha e obediente - a se tornar mais espontânea. "No entanto, é preciso que a escola aceite as temporadas de 'mau comportamento'. "Trata-se de adotar sempre uma postura tolerante e criar condições para que a criança desfrute de liberdade. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira - fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. "Brincar pressupõe segurança e criatividade", diz Bogomoletz. "Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas."



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4 comentários:

melissa disse...

Falar dele me faz lembrar do "objeto de transição", tão importante na entrada da criança na escola!

Carol Sales disse...

Gostei muito do post. Minha professora da pós graduação sempre comenta sobre a contribuição de Winnicott para a Educação. É gostoso ver que o blog acaba criando uma continuidade com aquilo que vejo fora daqui. Parabéns meninas!

Vanessa Vieira disse...

Grandiosíssimas as discussões que tens nos trazido Cris!!! Já tinha ouvido falar de Winnicott, mas não havia lido nada sobre o que ele pensava... Estou adorando seus posts!

Genis disse...

E como mãe, não posso deixar de ler e concordar com ele...
Que belo post, Cris. Parabéns!
Beijos, Genis ♥