17 de julho de 2011

Você já parou para pensar em como nos tornamos professores?

Entre os dias 10 e 13 de julho estive presente no 10º Encontro de Pesquisa em Educação da Região Sudeste, a ANPEDINHA (vejam detalhes em meu blog) e dentre as mesas temáticas que participei a que mais me chamou a atenção foi a que teve como componente, entre outras, a Sônia Maria Clareto. Doutora em Educação Matemática pela UNESP.

por Vanessa Vieira


Com uma fala simples e ao mesmo tempo complexa, Clareto levou aos presentes seus questionamentos sobre como alguém aprende a ser professor, uma pequisa bem detalhada e que vale a pena ser lida. 
Vale ressaltar, no entanto, que quando problematiza a questão da formação do professor, a autora deixa claro que não busca questionar sua eficácia, pois como diz, eficácia é algo que se dá quando se atinge totalmente um resultado esperado, antes disso a autora afirma que é necessário pensar em  como se vem constituindo a formação dos professores e não que resultados essa formação tem produzido.
Para pensar sobre essa constituição a autora procura explorar alguns modos junto aos quais vem se constituindo essa formação. Esses modos estão ligados às três metamorfozes anunciadas pelo Zaratustra de Nitzsche, que são classificados como modo-camelo, modo-leão e o modo-criança
Antes de explicitá-los, porém, vele ressaltar que os modos citados não se constituem em fases ou etapas da formação dos professores, mas sim territórios existenciais que nós professores vamos habitando ao longo de nossos caminhos.

Ao modo camelo estariam ligados aos conteúdos, às metas, aos objetivos e as avaliações que são colocados como verdades que precisam ser carregadas e transmitidas.  Esse é o momento em que o professor carrega sem "contestação", as cargas que lhe são colocadas e faz para que crie valores de força e sustentação. Esse é o primeiro movimento do processo de formação.

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O segundo momento segundo a autora é marcado pela crítica, agora os conteúdos, as verdades, e as metas, precisariam ser colocadas sob o olhar da crítica. Esse é o modo Leão e assim se constitui pois tão como o leão os professores se permitem a não aceitação, passiva, das verdades que lhe são impostas.

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E por fim, o terceiro movimento, o modo-criança é marcado pela força da criança. Aquela que abre caminhos para as novas possibilidades para a criação. Ou seja, é o momento em que o professor entenderia a necessidade indispensável de sua profissão, de criar e produzir não somente novos conhecimentos mas novas possibilidades de lidar com "a vida".


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Ressalto mais uma vez, que os três modos citados, não devem ser vistos como evolutivos, pelo contrário, devem ser vistos como involutivos, ou seja, um movimento de dissolução das formas criadas.

Resolvi trazer essa discussão aqui no blog, pois creio que ela resume tudo aquilo que eu gostaria de trazer para vocês sobre a importância da pesquisa para o fazer docente. Quando a autora fala do modo criança, entre tantas outras possibilidades, ela nos traz a reflexão sobre a pesquisa. Só é capaz de criar ou recriar alguma coisa aquele que antes se propôs a pesquisar a estudar e dissolver os questionamentos que lhe rodeiam. E na profissão docente, como sabemos, o tempo todo necessitamos responder a questionamentos e traçar soluções.



Termino hoje os posts sobre pesquisa mas deixo questionamentos que creio ser muito importante para nossa reflexão. Em que modo de nossa formação estamos? Temos refletido sobre nossa prática? Temos produzido algo em nosso ambiente de trabalho?





Espero que tenham gostado!

Não deixem de conhecer na integra o texto da Sônia M Careto, é um texto que sem dúvida nos fará repensarnossas práticas.
Ele pode ser encontrado no Ebook 2 da Anpedinha 2011Clique aqui para acessá-lo
 






3 comentários:

Prô Cris Chabes disse...

Olá Vanessa, como sempre um post BRILHANTE
Não conheço a autora em questão, e esse é o principio que move a curiosidade e pesquisa, presentes no educador que está no "modo criança" em sua formação.
Penso que estamos sempre indo e vindo nos três modos:
- Aceitamos cada novo conteúdo proposto quando recebemos ordens de trabalho vinda da diretoria de ensino, sem questionar = modo camelo;
- Questionamos os diferentes "por quês" de cada conteúdo = modo leão;
- E por fim realizamos uma nova leitura e criamos em cima desta proposta = modo criança.
A cada nova aula cabe ao professor questionar o que funcionou e o que precisa ser melhorado.
Valeu pela indicação de estudo neste post
Vou indicar a amigas que gostam de atualizar-se
Beijocas
Cris Chabes

Educação em Foco disse...

Oi amiga querida.... ♥
Hoje participei de uma capacitação cujo tema foi: Criatividade e Inovação.
Vindo de lá, burbulhando acho que estou no modo criança. Como vc disse criar e produzir não somente novos conhecimentos, mas novas possibilidades de lidar com "a vida".
Mas como somos cheios de fases, concordo com a Cris qdo disse que estamos sempre indo e vindo nos três modos...
Sobre refletir a minha prática... isso sempre!!
E em meu ambiente de trabalho sempre buscando produzir algo novo!
Tá vendo, por isso nesse primeiro momento escolhi o modo criança...
Ai amiga, adoro seus posts!! Vc é super!! Será nossa futura Ministra da Educação??
Beijos, beijos, beijos Genis ♥

Vanessa disse...

Vivamos no modo Criança meninas. Amo vocês! Abraços!