11 de julho de 2011

Reprovação escolar e Educação continuada


(Texto originalmente postado no blog http://umapitadadecadacoisa.blogspot.com/ )
Falar em reprovação escolar ao meu ver envolve muita polêmica! Na Educação Infantil acredito que ela não deva nem ser comentada, pois é impossível rotular crianças que ainda estão construindo seu conhecimento, cada uma dentro do seu próprio ritmo, avançando de acordo!Uma Educação Infantil completa, com professores capacitados, que preparem a criança para o próximo nível é essencial!
Quando digo que a reprovação envolve polêmica, me refiro a atuação do professor... não vou apontá-lo como o culpado pelo fracasso escolar, mas sempre me perguntei qual o envolvimento do profissional de educação?
Já dei aula para todos os níveis de educação, já recebi alunos que chegaram ao  3 ° ano do Fundamental, sem saber ler e escrever, alunos rotulados de incapazes ou com alguma deficiência! Tenho orgulho de dizer que esses alunos conseguiram dar a volta por cima e aprenderam a ler e a escrever! Não foi um trabalho fácil, cheguei a ficar noites sem dormi só pensando em uma maneira diferente para ensiná-los...e consegui! Preparava atividades diversificadas para eles, colocava-os sentados nas primeiras carteiras  (já ouvi muitos colegas dizerem  “–Esses daí não aprendem mesmo...não vão atrapalhar minha aula,sentam lá no fundo!”) e ainda ficava com eles na sala de aula até mais tarde, dando reforço escolar!
Do que adiantaria reprovar um aluno com dificuldade se no próximo ano ele visse as mesmas matérias, tivesse os mesmos professores, utilizasse o mesmo material? É preciso despertar a vontade de aprender nas crianças e tentar encontrar quais os motivos das  dificuldades enfrentadas.
Antes de reprovar um aluno, o professor deve colocar a mão na consciência e pensar: “O que EU fiz para ajudar?”, ”Quais as estratégias tentei usar para ele avançar?”, “Procurei saber quais foram as suas maiores dificuldades?”;
Eu sou a favor da progressão continuada dentro de um parâmetro de qualidade, com alunos e famílias que respeitem a escola, com profissionais capacitados envolvidos e um apoio escolar (recuperação paralela/reforço) que funcione. O governo não deveria pensar em números, mas sim em qualidade. Alguns pontos a serem repensados para uma melhoria da educação:
-Poucos alunos em sala de aula (no máximo 25);
-Investimento no professor;
-Contratação de professores recuperadores;
-Parceria escola X família.
Só assim teremos condições pra pensar em Educação Continuada, sem prejuízos ao aluno!
E vocês o que pensam a respeito da aprovação /reprovação escolar?
   

3 comentários:

Prô Cris Chabes disse...

Olá Mellissa, que interessante esse post
Vamos pensar na palavra recuperação. Um dos significados da palavra recuperar é consertar, pensemos um pouco....precisamos consertar o que ou quem?
Na escola precisamos, como está no texto, recuperar a auto estima e a vontade em aprender no aluno, mas também, acredito, a mesma vontade no professor.
Há professores que pararam no tempo. Acreditam não ter mais nada que aprender.
Em minha opinião, o aluno que chegou ao final do segundo ano (alfabetizar em dois anos = educar em ciclos) e ainda não aprendeu, precisa de um acompanhamento que o ajude em suas dificuldades, precisa de parceria com outros profissionais, mas precisa principalmente de motivação.
Se post nos faz refletir e levanta pontos para muitos debates. Esse é um tema que deve ser retomado em outras ocasiões.
Abraços
Cris Chabes

Educação em Foco disse...

Mel do Céu!! Vc disse tudo: "Eu sou a favor da progressão continuada dentro de um parâmetro de qualidade"...
Mas esse assunto é super delicado e complexo!!
Olha, juro pra vc que ouço colegas de trabalho dizendo assim: "A turma X vai ver comigo, vou arrebentar com eles na prova!" "O aluno fulano vai ver, ele comigo não passa de jeito nenhum!"
Menina, é incrível, mas ainda hoje ouvimos professores falando isso, principalmente a partir do 6º ano...
Há uns anos atrás, qdo ainda lecionava como professora titular da turma, decidi que um aluno não tinha "condições" de ir pra série seguinte (5º ano). Chamamos a mãe na escola e conversei com ela, juntamente com a minha pedagoga... ela chorou e disse que sabia que era a melhor decisão, já que ela tinha culpa por não acompanhá-lo nas atividades escolares e tals...
Hoje em dia, ela sempre comenta que foi a melhor coisa pra ele ter ficado reprovado naquela época. Ele amadureceu, se comprometeu com os estudos etc...
Confesso, foi uma decisão super difícil, mas como vc disse na postagem, depois de ter feito várias atividades diversificadas, ter tentando ajudá-lo ao máximo, é que tomamos essa decisão em conjunto com a pedagoga e a mãe...
Ai Mel, que tema polêmico!!
Olha, eu acho que devíamos reprovar alguns professore, o que vc acha?? rsrsrs
Ameiiiiiiiiiiiii a postagem!
Beijos, beijos, Genis ♥

monteiro disse...

O ato de reprovar o aluno é muito polêmico.
A comunidade escolar deve acompanhar o processo do ensino aprendizagem em todos os ângulos. A reprovação não leva o aluno ao aprendizado. As consequências são as piores para o aluno que foi reprovado. Entretanto, o professor deve repensar a sua prática pedagógica, rever o erro e tê-lo como ponto primordial para aperfeiçoar o seu desenpenho como professor. Em certos casos o professor considera a sua metodologia como única e intocável.Ser educador é um ato de amor e ter sabedoria para levar o conhecimento a todos os alunos e não só a minoria.
A s formas de alguns municípios mascarar a reprovação escolar são diversas. O nosso maior compromisso é levar essas formas de recuperação para o centro do debate entre todos os envolvidos,entre eles o mais interessado; O ALUNO.
Pensando nesse foco E.M.Nicomedes Theotônio Vieira, Armação dos Búzios, RJ , promoverá no dia 01 de dezembro de 2012 um Fórum Estudantil com o tema: Reprovação e o subtema : O que leva a Reprovação.
Dilma Monteiro- Supervisora Escolar