22 de junho de 2011

Educar é ...

Bons professores eletrizam seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar.

De que servem todos os conhecimentos do mundo, se não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino, constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e ruídos semânticos. Se perguntarmos quais foram os grandes educadores da história.

A maioria dos nomes decantados pelos nossos gurus faz apenas "pedagogia de astronauta". Do espaço sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Poucos enxergam, poucos ensinam que sirva aqui na terra.

Apenas dois homens fizeram história na terra Jesus Cristo e Walt Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias.

Esse é o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram a história mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de histórias do século XX. Inovou em todas as direções. Inventou o desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de narrativa. 

Há alguns anos, professores americanos de inglês se reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter, vendendo 9 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes são chatos.

Em um gesto de realismo, muitos professores passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato, educar é contar histórias. Bons professores estão sempre eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso ignorar as teorias intergalácticas dos "pedagogos astronautas" e aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J.K. Rowling. Eles é que sabem.

Um dos maiores absurdos da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor "construir sua própria aula", em vez de selecionar as ideias que deram certo em algum lugar. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele as melhores ferramentas, melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: "O bom artista copia, o grande artista rouba ideias". Se um dos maiores pintores do século XX achava isso, por que os professores não podem copiar? 

Preparar aulas é buscar as boas narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e ajustando (é aí que entra a criatividade). Se "colando" dos melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.

É um pouco dessas ferramentas que esse blog vem oferecendo, cada colaboradora tem um pouco a nos oferecer, basta aperfeiçoarmos com criatividade e oferecer aos nossos alunos.

Bom feriado a todas

Regina Gregório



Um comentário:

Professora Vanessa disse...

Olá Regina,
Achei maravilhosa sua colocação, realmente temos muitos professores e pensadores falando de uma realidade da qual não participa, mas tenho segurança em dizer que muitos professores ainda assumem uma postura passiva diante dessa situação. Apenas criticam e nada fazem para modifica-las e quando lhe são dadas as oportunidades de questionamento não o fazem.
Concordo com você também sobre algumas hostilidades que são feitas na escola, quando o supervisor ou coordenador engessam as possibilidades de trabalho dos professores, mas sou completamente a favor da criação. Atualmente os professores não tem sido levados à pesquisa, muito se tem copiado e a criação (ou produção) tem sido muito pouco valorizada. Penso que somente quando os professores entenderem que MINISTRAR AULAS é fruto de uma pesquisa e consequentemente uma criação ou produção, conseguiremos mudar a realidade de nossa educação.
Quero deixar claro que não tenho nada contra a pesquisa em internet e reprodução de ideias que deram certo, porque também utilizo esses mecanismos em minha atuação, mas creio que é muito importante sim, mostrar ao professor que ele deve ser considerado UM AUTOR, um produtor de ideia e atitudes.

Um abraço, Vanessa