8 de abril de 2011

Você sabe o que é Legastenia? Texto de: Erika Bauer, Maria Alice Fontes P. Novae


Por que algumas pessoas têm dificuldade de leitura e escrita?

Atualmente várias pesquisas têm sido feitas na área de distúrbios de aprendizagem. Há algumas décadas, pouco se sabia sobre essas dificuldades e crianças passavam anos com problemas na escola e se tornavam adultos com dificuldades na vida profissional. Atualmente já possível se fazer diagnósticos precoces na área de aprendizagem e trabalhar de maneira preventiva com diversos recursos nos processos de avaliação, diagnóstico e reabilitação.

O que é legastenia?

Legastenia é a inabilidade do controle preciso dos movimentos oculares, ou seja, um distúrbio que envolve o controle do direcionamento do olhar que chega a prejudicar o desempenho nas tarefas de leitura e escrita. É considerado por muitos pesquisadores como sinônimo de dislexia e faz com que crianças afetadas troquem letras ao ler e escrever e, por isso, tenham dificuldades de compreender frases inteiras.

O que são movimentos sacádicos?

Movimentos sacádicos são os deslocamentos que os olhos realizam, a cada segundo para a realização de uma tarefa onde seja necessária o controle ocular fino. Esses movimentos sacádicos ligam todas as fixações oculares entre si, possibilitando por exemplo, a leitura e a escrita. Os legastênicos movimentam seus olhos com a mesma velocidade que pessoas saudáveis, entretanto o controle fino da motricidade ocular que é realizado pelo lobo frontal pode, no caso dos portadores de legastenia, ser pouco preciso e desencadear “perdas” rápidas controle ocular. Algumas áreas do lobo frontal permitem que controlemos nossos movimentos oculares de forma voluntária e consciente e são essas mesmas áreas que liberam os movimentos anti-sacádicos (movimento contrário).

Como a legastenia interfere no processo de leitura?

Na leitura, precisamos direcionar o olhar de forma específica e controlada para que nossos olhos se desloquem corretamente pelo texto, correndo de palavra em palavra. Assim , quando esse controle do direcionamento do olhar não acompanha as crescentes exigências escolares, podem surgir certos distúrbios de aprendizagem, e quando corretamente diagnosticados podem ser compatíveis com a legastenia.

Como é feito o diagnóstico?

Para o diagnóstico é necessário um exame oftalmológico especializado em que seja examinado o processo visual e o direcionamento do olhar a partir da adequação dos movimentos dos olhos. Nesse caso, não basta avaliar a acuidade visual, ou seja, o bom funcionamento dos olhos. Faz-se necessário avaliar o movimento dos olhos em algumas tarefas específicas.

Existe tratamento para a legastenia ?

Alguns pesquisadores estão desenvolvendo métodos que ajudam os legastênicos a aprender a ler. Esses métodos consistem em programas de computador que apresentam letras, segmentos de palavras e palavras completas de forma a incentivar o correto movimento ocular. O tempo de treinamento depende do nível de dificuldade de cada paciente, entretanto ainda não existe um consenso sobre a eficácia dos métodos para este treinamento.

Como fazer a prevenção?

Uma visita ao oftalmologista é indicada para crianças em fase de alfabetização, não só para avaliar a acuidade visual, mas o processamento visual. Para isso, é necessário consultar um oftalmologista especializado nesse tipo de diagnóstico. Em casos de crianças com problemas escolares, esse seria o primeiro passo. O diagnóstico é o único caminho para se fazer uma intervenção adequada, ou seja, indicar o tipo de tratamento. Isso pode impedir que a criança ou o adulto sejam considerados com pouco recurso intelectual ou até mesmo com deficiência mental, muitas vezes, ele apenas sofre de problema de percepção visual e precisa de apoio para controlar o direcionamento de seu olhar.

Bibliografia:
- Errar num piscar de olhos In Viver Mente e Cérebro – volume 158
- Dificuldade na aprendizagem da leitura: teoria e prática. Terezinha Nunes, Lair Buarque, Peter Bryant. Cortez, 2000.
- Dislexia: ultrapassando as barreiras do preconceito. James J. Bauer. Casa do Psicólogo, 1997

5 comentários:

Genis disse...

Nossa, eu até conheço tudo o que vc descreveu, mas nunca podia imaginar que tinha esse nome...
Bjs.

Vanessa G. Vieira disse...

Também não conhecia esse nome não! Adorei o texto Cris. Já está anotadinho aqui! você trabalha com crianças que tem esse tipo de dificuldade?

Smartkids disse...

Olá Profª Cris!
Estava vendo alguns blogs e acabei caindo no seu!
Achei muito rico em conteúdo seu blog. Parabéns!
Não deixe de nos visitar :)

Beijos,
SmartKids

Prô Cris Chabes disse...

Olá Meninas, eu não sei se posso dizer que minha aluna apresenta essa dificuldade porque como você leu é preciso uma avaliação de um oftalmologista para perceber esse distúrbio, mas achei muito interessante o texto e resolvi compartilhar com vcs.

Beijocas
Cris Chabes

Negação de Irene disse...

Obrigada pelo esclarecimento.