4 de março de 2011

Transtornos emocionais com início especificamente na infância

Todo ano recebo em minha classe uma criança com algum diagnóstico diferente. Procuro não ler de imediato. (Só para vocês entenderem, trabalho em uma escola estadual que tem sala para atendimento de crianças com algum tipo de necessidades especiais).

Sempre procuro não ler o laudo de uma criança que chega com "determinada denominação" antes de conhecer a criança e sua família, para não cair no julgamento do psicopedagogo ou psicologo (que tem habilitação e competência para avaliar e diagnosticar a criança). Faço isso pelo simples fato de precisar observar quais as necessidades e quais as dificuldades que essa criança apresenta antes que eu possa buscar ajuda com os profissionais que o atenderam.

Este ano recebi um menino muito disperso e com grande dificuldade de reter informação, atenção, concentração na fala e nas relações com os amigos e funcionários da escola. Ele guarda seu material 10/15 vezes por dia, olha para todos os lados o tempo todo, tem uma força incrível e ao mesmo tempo uma coordenação motora fina não trabalhada o suficiente. Já frequentou o Emei, mas só quer pular, correr, cantar, balbuciar palavras desconexas. Não consegui reter seu olhar e sua atenção ainda. Em duas semanas de aula já recorri a jogos, pintura, dança, música, brincadeiras no pátio, mas ainda não consegui sua interação com a turma ou comigo.

Recorri ao laudo e a internet para compreender melhor suas dificuldades e principalmente para entender de que forma posso ajuda-lo.

Ainda não sei, mas estou pesquisando e buscando recursos. Não vou desistir, mas confesso estou assustada. Quero ajuda-lo, mas como ainda não sei.



Segue algumas explicações que encontrei na internet sobre o laudo.

P.S. Seu diagnóstico junto com sua história marcada por traumas gravissimos na infancia formam um quadro dificil.

F93 Transtornos emocionais com início especificamente na infância
Grupo de transtornos que constituem uma exacerbação de manifestações normais do desenvolvimento, mais do que um fenômeno qualitativamente anormal por si próprio. É essencialmente sobre esta característica que repousa a diferenciação entre os transtornos emocionais que aparecem especificamente na infância (F93.-) e os transtornos neuróticos (F40-F48).
Exclui:
quando associados a transtornos de conduta (F92.-)
F93.0 Transtorno ligado à angústia de separação
Transtorno no qual a ansiedade está focalizada sobre o temor relacionado com a separação, ocorrendo pela primeira vez durante os primeiros anos da infância. Distingue-se da angústia de separação normal por sua intensidade (gravidade), evidência excessiva, ou por sua persistência para além da primeira infância, e por sua associação com uma perturbação significativa do funcionamento social.
Exclui:
transtornos (de) (do):
· ansiedade social da infância (F93.2)
· fóbico ansioso da infância (F93.1)
· humor [afetivos] (F30-F39)
· neuróticos (F40-F48)
F93.1 Transtorno fóbico ansioso da infância
Transtorno caracterizado pela presença de medos da infância, altamente específicos de uma fase do desenvolvimento, e ocorrendo, num certo grau, na maioria das crianças, mas cuja intensidade é anormal. Os medos que ocorrem na infância mas que não fazem parte do desenvolvimento psicossocial normal (por exemplo, agorafobia) devem ser classificados na categoria apropriada do capítulo (F40-F48).
Exclui:
ansiedade generalizada (F41.1)
F93.2 Distúrbio de ansiedade social da infância
Transtorno caracterizado pela presença de retraimento com relação a estranhos e temor ou medo relacionado com situações novas, inabituais ou inquietantes. Esta categoria deve ser usada somente quando tais temores aparecem na primeira infância, mas são aqui excessivos e se acompanham de uma perturbação do funcionamento social.
Retraimento da infância e da adolescência
F93.3 Transtorno de rivalidade entre irmãos
A maior parte das crianças pequenas fica perturbada pelo nascimento de um irmão ou de uma irmã. No transtorno de rivalidade entre irmãos, a reação emocional é evidentemente excessiva e se acompanha de uma perturbação do funcionamento social.
Ciúmes entre irmãos
F93.8 Outros transtornos emocionais da infância
Transtorno de:
· hiperansiedade
· identidade
Exclui:
transtorno de identidade sexual na infância (F64.2)
F93.9 Transtorno emocional da infância não especificado

Fonte para maiores informações clique aqui

Um grande beijo
Cris Chabes

4 comentários:

Vanessa G. Vieira disse...

Oi Cris! Achei interessante seu depoimento, irei pesquisar algumas coisas aqui também. continue nos dando notícias sobre a sua experiência! Beijos!!

melissa disse...

Muito interessante esse post,também não leio relatórios e laudos antes de conhecer a criança e ter a minha opinião!Já recebi alunos que pra mim eram normais,com algum déficit e que em relatórios professores os rotularam como deficientes e que nunca poderiam aprender!Enfrentar desafios é o que nos move!Tenho certeza que vc irá encontrar o caminho certo!

Educação em Foco disse...

É Cris, professor tem que ser mesmo completo, ne amiga.... observar, procurar ajudar os alunos com 'dificuldades'... linda nossa profissão.
Uma vez tive um aluno que se dispersava, copiava do quadro tudo errado, era agitado e outras coisas.
Um dia tomei coragem e disse pra mãe dele que ele tinha 'alguma coisa', mas que eu não sabia o que era. Falei com jeitinho e tal, mas a mãe se indignou com a minha fala, pois a cça tinha vindo de uma grande escola particular de outra cidade e nunca havia tido reclamações....
Enfim, sem eu saber, a mãe fez uma série de exames no menino e descobriu que ele tinha estrabismo interno.
Depois a mãe me procurou e levou o laudo do menino e começamos um trabalho em equipe, eu, a escola, ela e uma equipe de médico.
Arrisquei naquele momento, mas acredito tb na minha sensibilidade e experiência. Meu aluno teve grandes avanços.
No ano seguinte eles se mudaram pra outra cidade novamente, mas mantenho contato por msn até hoje com ele e sua mãe. Ela diz que é eternamente grata a mim.
Bem amiga, te desejo sorte, paciência e muita sabedoria.
Nos mantenha informados sobre o desenvolvimento de seu aluno.
Um mega bj, Genis.

odila-garcia disse...

Cris, gostei muito desse artigo.
A Educação precisa de profissionais dedicados como você.
procuro não ler o laudo de uma criança que chega com "determinada denominação" . Achei isso muito importante e mostra o quanto você ama a sua profissão.