18 de março de 2011

TDHA - Uma doença inventada?

Muitas vezes já ouvimos esse termo na escola, nos meios de comunicação ou no meio social (parentes, amigos, cursos), mas o que é o TDHA - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?

No ambiente escolar é comum associar o termo a alguma criança agitada ou desatenta, correndo o risco de rotula-la com um diagnóstico, mesmo não tendo habilitação específica para isso.

Assim buscando esclarecer o assunto com maiores informações encontrei a ABDA, uma associação que discute e pesquisa o assunto junto a comunidade médica e acadêmica.

O texto acima foi redigido por: Paulo Mattos – Presidente do Conselho Científico da ABDA– Psiquiatra LINK

TDAH É UMA DOENÇA INVENTADA?

Você certamente já leu ou ouviu em algum lugar que o TDAH “é uma doença inventada pelos laboratórios farmacêuticos” ou que é uma “medicalização” de comportamentos de indivíduos que são simplesmente diferentes dos demais. Então vamos aos fatos:

1) O que hoje chamamos de TDAH é descrito por médicos desde o século XVIII (Alexander Crichton, em 1798), muito antes de existir qualquer tratamento medicamentoso. Não existia sequer aspirina... No inicio do século XX, aparece um artigo científico publicado numa das mais respeitadas revistas médicas até hoje, The Lancet, escrita por George Still (1902). A descrição de Still é quase idêntica a dos modernos manuais de diagnóstico, como o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria. Se fosse uma doença “inventada” ou “mera conseqüência da vida moderna”, você acha que seria possível atravessar quase dois séculos com os mesmos sintomas?

2) Os sintomas que compõem o TDAH são observados em diferentes culturas: no Brasil, nos EUA, na Índia, na China, na Nova Zelândia, no Canadá, em Israel, na Inglaterra, na África do Sul, no Irã... Já chega? Pois se fosse meramente um comportamento secundário ao modo como as crianças são educadas, ou ao seu meio sociocultural, como é possível que a descrição seja praticamente a mesma nestes locais tão diferentes?

3) Se o TDAH fosse meramente “um jeito diferente de ser” e não um transtorno mental, por que os portadores, segundo os dados de pesquisas científicas, têm maior taxa de abandono escolar, reprovação, desemprego, divórcio e acidentes automobilísticos? Por que eles têm maior incidência de depressão, ansiedade e dependência de drogas?

4) Se o TDAH fosse “uma invenção da indústria farmacêutica”, você esperaria que a Organização Mundial de Saúde – órgão internacional máximo nas questões relativas à saúde pública sem qualquer vinculação com a indústria farmacêutica – listaria o transtorno como parte dos diagnósticos da Classificação Internacional das Doenças não só na sua última versão (CID-10) como nas anteriores (CID-8 e CID-9)? Pois é, ele está lá no capítulo dos transtornos mentais – vide o site http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm

5) Se o TDAH fosse secundário ao modo como os pais educam seus filhos, por que motivo as famílias biológicas de crianças com TDAH que foram adotadas têm prevalências (taxas) de TDAH bem maiores do que aquelas encontradas nas suas famílias adotivas? A única explicação possível: é um transtorno com forte participação genética.

Leia o texto na integra

3 comentários:

Vanessa G. Vieira disse...

Oi Cris! Como é importante nos inteiramos desse assunto! O que mais vemos nas escolas hoje, como você disse, são professores rotulando seus alunos e a maioria deles não tem noção da gravidade de suas palavras! Vou guardar seu post aqui no meu arquivo! Abraço!

Ana Paula Ruggini Zarpelon disse...

Há casos em que confunde-se falta de limites com TDAH! Isto não quer dizer que este transtorno seja uma invenção! Existem diferenças gritantes entre a criança "mal-educada" e a hiperativa. Não tem como se enganar ou negar que TDAH exista! A criança com TDAH precisa de tratamento especializado, já a primeira uma Supernanny resolveria! rs

Excelente texto!
Abraços!

Genis disse...

Cris, as famílias estão atribuindo todo o mau comportamento e falta de limites com o TDAH.
Em contra partida há os casos sérios que realemnte precisam ser tratados e que as famílias não aceitam...
Amiga, eu não sei vc, mas às vezes tenho a impressão de que o professor agora precisa também fazer psicologia pra poder entender muitos problemas em sala de aula...
Me sinto às vezes meio pressionada à tantas informações...
Amei a postagem! Quero parte 2!!!
Beijos.