16 de março de 2011

Profissão: Coordenador Pedagógico (parte 1)

(imagem divulgação)

Numa época em que se rediscutem espaço, tempo, modo, sujeito e conteúdo da aprendizagem, a figura do coordenador pedagógico se destaca como articuladora e representante dessa nova forma de pensar a educação. O coordenador é hoje - ou poderia ser o elo a unir projeto pedagógico da escola, conteúdo programático e as pessoas envolvidas no projeto - professores, gestores, pais e alunos.
O cenário educacional contemporâneo introduz ingredientes que criam paradoxos para o exercício da função. Ao mesmo tempo que a cobrança social pela aprendizagem dos alunos, cada vez mais, recai de forma individualizada sobre o professor, ele é instado a trabalhar de forma interdisciplinar, os projetos em conjuntos com as outras disciplinas e áreas de saber.
Em meio a pressões de todos os lados - dos docentes, gestores, alunos e familiares - quais seriam, então, as características que fariam do coordenador um profissional capacitado a desempenhar o papel de articulador dentro da unidade escolar?
Para dar conta de tamanho desafio, o coordenador precisa ter a seu favor algumas características que definem um bom coordenador talvez sejam as mesmas que caracterizam um bom professor.
*O coordenador deve ser alguém que saiba liderar sem perder de vista que está coordenando uma equipe em uma escola, e não em uma empresa, que tem dinâmica e foco diferente.
*É precisa estar informado, estudar sempre. Não precisa saber todo o conteúdo de todas as áreas, mas tem de ter conhecimento teórico sobre a prática pedagógica.
*Precisa saber o momento de ouvir e de falar
*Estabelecer um canal de comunicação entre educadores, pais, alunos, sendo assim fica mais fácil sugerir caminhos e propor reflexões acerca de convergências e divergências.
*Estabelecer uma relação de confiança
*Criar um espaço coletivo não hierarquizado, pois facilita o contato entre seus colegas e equipe.
Todo o trabalho do coordenador, portanto, só é possível a partir de um espaço coletivo de debate com os professores. Só a partir dessa interação a figura do coordenador pode exercer a sua principal função, a de formador que promove a reflexão contínua junto aos professores sobre a prática pedagógica. Por isso é importante para os coordenadores compreender que a construção de conhecimento junto aos professores não acontece porque o coordenador ensina o professor como ensinar, e sim porque existe o intercâmbio entre eles. Essa ideia, advinda das teorias do psicólogo russo Lev Vigotski, tomada como base para entender as relações de aprendizagem dentro da escola, é hoje utilizada no estudo do papel do coordenador.
Regina Gregório
Referencia: Formação de professores: pensar e fazer, de Nilda Alves (Cortez, 2006)





2 comentários:

Eliane Pera disse...

seria bom se fosse assim.o coordenador pedagógico fazer sua função.auxiliar o professor
quando precisam.Conheço alguns que ficam falando mal do professor que está com dificuldades. É triste. Sua postagem foi muito boa.

Vanessa G. Vieira disse...

Adorei o post Regina. Concordo com o que diz a Eliane, muitos colegas, também reclamam muito dos seus coordenadores. Muitos não tem conseguido manter aquele diálogo, que você pontuou ali em cima, com os professores.
Minha experiência é um pouco diferente, (dei sorte) A coordenadora com a qual trabalho apresenta todas as visões que você colocou ali o desafio dela algumas vezes está em fazer com que os professores e supervisores que trabalham junto entendam o porque de suas propostas e ações! Acho que a ATUALIZAÇÃO a PESQUISA e a DISPOSIÇÃO para aprender e OUVIR o outro deve partir das duas partes, tanto dos professores quanto dos coordenadores...