11 de março de 2011

Indisciplina - Um debate social ou escolar?

Estamos somente no inicio de mais um ano letivo e a cada final de aula tenho observado na fala de algum professor casos de alunos que não respeitam as regras (combinados) da sala, que brigam no recreio, que chutam os amigos e pior que chutam o professor ou algum funcionário da escola.

Isso já aconteceu comigo, já comentei o fato em meu blog (leia aqui).

Todos os dias ao término da aula observo aqui e ali um professor que está cansado devido a momentos de indisciplina vividos na sala de aula. O tema já foi abordado e discutido nas reuniões de professores. Os casos que extrapolam ao controle do professor já foram encaminhados ao coordenador, ao diretor e aos pais, mas então como agir....Será essa uma situação existente somente na escola ou na sociedade vemos casos de indisciplina? Os casos que observamos nos meios de comunicação em que jovens matam ou agridem os outros podem ser considerados casos de indisciplina em sua infância? Indisciplina pode levar ao bullying?

Não queremos, enquanto professores um regime autoritário como nos antigos padrões escolares, mas sim o respeito ao colega, ao trabalho realizado, a escola e ao professor.

Por definição encontrada no Aurélio: "Indisciplina s. f. Falta de disciplina; desobediência; rebelião."

Busquei na internet algum texto que pudesse trazer idéias que não fossem aquelas "ainda não adotadas pela escola" (tornar a aula mais criativa, trabalhar com jogos, teatro, música, etc) e encontrei um texto que pode ajudar nos primeiros passos para tornar a indisciplina uma questão de debate social e não apenas escolar.

O Texto abaixo é parte de uma reportagem publicada no site Educar para Crescer (link ao final)


A garotada voa pelos corredores, conversa em sala, briga no recreio, insiste em usar boné e em trazer para a sala materiais que não são os de estudo. A paciência do professor está por um fio. Cansado e confuso, ele se sente com os braços atados e a autoridade abalada. Não suporta mais as cenas que vê e não sabe o que fazer. Quer obediência! Quer controle! Quer mudanças no comportamento dos alunos! 

Para ter uma turma atenta e motivada, a primeira mudança necessária talvez esteja nos pais, na escola e nos professores. É hora de rever a ideia de indisciplina e o que há por trás dela. Pesquisa realizada por NOVA ESCOLA e Ibope em 2007 com 500 professores de todo o país revelou que 69% deles apontavam a indisciplina e a falta de atenção entre os principais problemas da sala de aula. Doce ilusão! O comportamento inadequado do aluno não pode ser visto como uma causa da dificuldade para lecionar. Na verdade, ele é resultado da falta de adequação no processo de ensino. 

Para avançar nessa reflexão, é preciso entender que a indisciplina é a transgressão de dois tipos de regra.

O primeiro são as morais, construídas socialmente com base em princípios que visam o bem comum, ou seja, em princípios éticos. Por exemplo, não xingar e não bater. Sobre essas, não há discussão: elas valem para todas as escolas e em qualquer situação.
O segundo tipo são as chamadas convencionais, definidas por um grupo com objetivos específicos. Aqui entram as que tratam do uso do celular e da conversa em sala de aula, por exemplo. Nesse caso, a questão não pode ser fechada. Ela necessariamente varia de escola para escola ou ainda dentro de uma mesma instituição, conforme o momento. Afinal, o diálogo durante a aula pode não ser considerado indisciplina se ele se referir ao conteúdo tratado no momento, certo?



Um comentário:

Genis disse...

Ai Cris, isso tá muito complicado mesmo...
Cada dia que passa parece que os alunos ficam mais indisciplinados....
Li um post da Vanessa bem bacana que fala um pouco sobre isso... http://trasnformandovidas.blogspot.com/2011/02/e-o-professor-como-anda.html
Conversei com uma mãe sobre o comportamento da filha, e ela me disse: "não sei o que fazer, vc sabe?"
E o problema se torna uma bola de neve....