10 de fevereiro de 2011

LIMITES & INDISCIPLINA

Olá queridos, sei que hoje não é meu dia de postagem, mas vim dar um suporte para a amiga Gênis. Ela está com alguns problemas em casa e por isso não pode programar a post de hoje. Resolvi publicar uma postagem que coloquei  lá no meu blog, espero que gostem!
Torcam para que tudo dê certo com a .Genis 
Abraço Grande
Ass.: Profª Vanessa
 
 
 
Cruzo com Thomas, meu vizinho de 12 anos. Sinto que sempre aprendo quando o escuto e, por isso inicio, o nosso "papo"
- Fala aí, meu amigo. Como estão as coisas no dia-a-dia de sua escola?  

- Vão mal, Celso, muito mal. Impossível prestar atenção na maior parte das aulas. Minha escola é uma generalizada bagunça. A indisciplina é total e quem não entra na farra acaba marcado . Conclusão, o professor ou professora fica lá na frente falando para uns quatro ou cinco e finge que não ver as guerras de papel, os "amassos", o palitinho, o jogo de carta e as discussões em torno das revistinhas eróticas. Um inferno...

- mas calma lá, amigão. Você não está exagerando? Será que em todas as aulas é assim? Será que ninguém consegue manter a disciplina e o diretor não faz nada?

- Não, Celso, nem todas são assim. A aula da Érica, por exemplo, não é "bagunçada". Ao contrário, todo mundo assiste e mostra interesse e ela é sem dúvida, a professora mais respeitada e a que sempre é procurada quando um ou outro quer um conselho, uma sugestão, uma orientação. Mas tirando essa mestra, os demais até que tentam, mas poucos conseguem. Quanto ao diretor, pelo amor de Deus, é apenas uma figurinha no meio de tantas figuras. Um dia, eu e a Mariana fomos reclamar e sabe o que ele disse? "E ai, o que vocês querem? No meu tempo já era assim! Escola, amigo, é isso mesmo e trate de curtir sua juventude, pois o tempo passa rápido". O que você acha, Celso, dá para ir reclamar uma segunda vez?

- É amigo. Com um diretor desses fica complicado. Mas, diga lá. Por que você acha que essa professora, e somente ela, mantém a disciplina? O que ela tem que outro não tem?

- Eu acho que tudo começou no primeiro dia de aula. A Érica foi entrando em sala e já enquadrou uns três ou quatro, dizendo que queria ter uma conversa com seus pais. Que aula era coisa séria, que estava ali para cumprir uma missão e que se o que pensava de escola não se identificava com o que os pais pensavam, tinha gente em lugar errado. Logo depois, mostrou para a classe que nada existia na visa sem uma espécie de "contrato". Que em uma família carinhosa, em uma empresa de sucesso, em uma partida de futebol ou até mesmo na curtição de uma festa, havia sempre um contrato entre os participantes entre tudo quanto "podia" ou "não podia". Explicou que, mesmo em um simples jogo de futebol existem regras e que quando uma delas deixa de ser cumprida, vem junto uma sanção. Que essa sanção não é castigo, é apenas um preço que se paga por uma regra que se quebrou. Logo depois foi debatendo com a gente as regras de uma boa aula. Foi sugerindo o que achava que seria correto ou não, e aqui e ali, até aceitou algumas regras que sugerimos. Agora deixa eu ir Celso, não posso me atrasar.

Lá se foi o Thomas com sua juventude, seu ímpeto e sua alegria, quase correndo pelo pátio úmido. E ali fiquei a pensar. O Thomas está certo em muita coisa, erra apenas em generalizar. Escola, em questão de disciplina é conceito abstrato. Toda escola é excelente e disciplinada ou é irremediável "bagunça" pelos mestes que acolhe e a quem dá apoio.

Texto  na íntegra

2 comentários:

Genis disse...

Vanessa,
Obrigada pelo carinho, vc é simplesmente demais!
Te amo, tá?!
Qto à postagem, já comentei no seu blog e achei simplesmente profunda.... vale a reflexão.
Um super beijo, Genis.

Prô Cris Chabes disse...

Já passei por algo parecido recentemente, mas não culpei a instituição, sou professora e acabei julgando minha professora.
Estava na pós graduação e uma "turminha" ficava conversando e rindo durante as aulas. A professora fazia duas chamadas, uma no início e outra na final da aula, para forçar toda a turma a estar presente.
O que me deixava chateada é que essa "turminha" não queria participar mesmo e atrapalhava todas as aulas.
Certo dia, sem paciência comentei com a professora e ela disse que dava aula a todos e que se alguns queriam brincar "azar" ainda assim não iriam sair da sala, caso contrário ela daria falta.
Achei um absurdo e fiquei torcendo para o módulo terminar. Não aprendi na aula, mas sim com minhas leituras sobre o tema.
Indisciplina é questão sempre difícil de lidar, mas acho que minha professora colaborou com ela.
Ótimo tema para discussão.
Beijocas
Cris Chabes